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Ivan Lessa: Lula Mandela da Silva
Não acredite no que ler nos jornais, diz um velho ditado. Sigo a sugestão e procuro me informar nas fontes murmurantes (ainda feliz centenário, Ary Barroso!) que por acaso estiverem jorrando nas minhas proximidades. Isso significa: a) que deixo de fazer ouvidos de mercador para os intrigantes politizados que gostam de se mostrar bem informados e b) que pego jacaré sem tábua na Net. Um bom amigo me recomendou a Agência Brasil, um serviço da Radiobrás – que acredito ainda não perdeu o acento –, um sítio que divulga de forma admirável as excelentes notícias que emanam do florido jardim que é o atual governo brasileiro. Saudosismos Como deve ter ficado claro pelas linhas acima, o sítio www.radiobras.gov.com.br dá, àquele que o freqüenta, se não um banho de lua, ao menos uma sauna de sobriedade. Meu bom amigo, da mesma geração que eu, curte saudosismos. Com ele papeio sobre velhos jogadores de futebol, gravações do Orlando Silva e programas de rádio. Desses últimos, PRK 30, Hora do Pato e Piadas do Manduca, volta e meia vêm à tona, juntamente com jingles e comerciais que, por nós, não morrerão jamais. Foi numa dessas conversas que um de nós mencionou A Voz do Brasil e sua chamada "protofonia" de O Guarani. Rimos às bandeiras despregadas, para empregar uma expressão propícia à época e ocasião. Foi quando fiquei sabendo que esse ainda vai para o ar e tem seu equivalente eletrônico no sítio que já mencionei. Preparado para tudo, fantasiado de "pirata rico" em cetim e veludo, adentrei-o destemido. Nelson Mandela A principal matéria era uma entrevista estilo pingue-pongue com o ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso, Rubens "Estão gravando?" Ricúpero, atual secretário da Unctad (sounds nice). Encabeçava o texto de quatro páginas impressas (não há outro jeito) a seguinte manchete: "Lula tem uma trajetória política e pessoal comparável somente a Nelson Mandela". Li tudo e, depois, fui conferir as semelhanças num sítio sobre o líder sul-africano que, condenado à prisão perpétua, ficou preso por 28 anos, de 1962 a 1990, sendo que, nos anos 80, rejeitou a oferta de liberdade oferecida pelo então Presidente P. W. Botha, caso rejeitasse a violência. Pouco depois de deixar a prisão (no domingo, 11 de fevereiro de 1990), Mandela renunciou à violência. Assim caminha a humanidade brasileira. Ah, sim. A Agência Brasil informa que todas as matérias nela contidas poderão ser reproduzidas desde que citada a fonte. Está citada. |
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