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Atualizado às: 02 de janeiro, 2004 - 22h51 GMT (20h51 Brasília)
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Taiwan será desafio espinhoso para a China em 2004

Chen Shui-bian vem acirrando discurso pró-independência
Chen Shui-bian vem acirrando discurso pró-independência

A China começa 2004 preparando-se para enfrentar um desafio espinhoso em sua política externa.

No mês de março, o presidente de Taiwan, Chen Shui-bian, vai buscar a reeleição, e sua campanha já repete uma fórmula clássica na “ilha rebelde”: angariar popularidade com desafios a Pequim.

A ameaça de uma nova e grave crise entre China e Taiwan ronda o continente asiático como um fantasma, ao agitar o medo da instabilidade na região e até mesmo de um confronto armado.

O Partido Comunista chinês mantém a ameaça de invadir Taiwan caso a ilha declare independência, ou seja, renuncie formalmente à reunificação.

Discurso diluído

A divisão remonta a 1949, quando os nacionalistas comandados por Chiang Kai-shek foram derrotados pelos comunistas de Mao Tsé-tung e se refugiaram em Taiwan.

Em 2000, os nacionalistas perderam a Presidência de Taiwan para o Partido Democrático Progressista (PDD), de Chen Shui-bian.

A organização surgiu apoiada na idéia de Taiwan declarar a independência, rompendo com a idéia da reunificação com a China continental.

No poder, Chen Shui-bian diluiu o discurso, a fim de buscar uma acomodação com o gigantesco vizinho.

Volta as raízes

No entanto, nos últimos meses, o presidente resgatou o discurso histórico do partido, agora de olho nas pesquisas de intenção de voto para o pleito de 20 de março.

Hu Jintao
Hu Jintao vem buscando boa relação com os EUA

As sondagens mostram que, no início da campanha, largou na frente Lien Chan, candidato dos nacionalistas.

Chen Shui-bian anunciou planos para realizar simultaneamente à eleição dois referendos, para exigir de Pequim o fim da ameaça de invasão de Taiwan e a remoção dos 496 mísseis apontados contra a ilha.

“Colocar mísseis é uma forma de terrorismo de Estado”, declarou Annette Lu, vice-presidente taiwanesa.

A China classificou a iniciativa de Chen como “totalmente sem razão” e defendeu manter o recurso de força militar como instrumento para “proteger a soberania nacional e a integridade territorial” do país.

Mudança

Pequim demonstrou nos últimos meses uma mudança na sua política em relação a Taiwan.

Em 1996 e em 1999, outros momentos de desafios da “ilha rebelde”, a China respondeu com exercícios militares, a fim de acenar com a ameaça da invasão.

A mão pesada acabou resultando em aumento da popularidade dos líderes taiwaneses que desafiavam o gigante comunista.

A China, sem abrir mão da ameaça da invasão, parece ter desistido de shows militares.

Passou a colocar mais ênfase em iniciativas diplomáticas e conquistou significativa vitória no começo de dezembro, quando o presidente norte-americano, George W. Bush, criticou as iniciativas de Chen Shui-bian.

A Casa Branca se declarou preocupada com tentativas de “alterar o status quo na região do estreito de Taiwan”.

Coréia do Norte

O presidente Bush sabe que precisa proteger sua relação com Pequim.

Conta com a sua ajuda para resolver o desafio representado pela Coréia do Norte, que ainda mantém laços importantes com o governo chinês.

Mapa

A Casa Branca teme também as conseqüências para a economia mundial de um cenário asiático golpeado pela instabilidade de um conflito armado entre China e Taiwan.

O governo do presidente Hu Jintao mantém o crescimento econômico acelerado como prioridade de governo, mas já sinalizou estar disposto a pagar um preço para “deter o separatismo de Taiwan”.

O nacionalismo de Pequim, substituto do marxismo como alicerce ideológico do Partido Comunista chinês, não toleraria a separação em definitivo da “ilha rebelde”.

Aposta

Chen Shui-bian deverá, durante a campanha eleitoral, acirrar a retórica pró-independência.

Trata-se de uma aposta política de alto risco, que ameaça mergulhar a região num atoleiro de instabilidade.

Mas a estratégia do presidente de Taiwan vai enfrentar uma aliança poderosa, interessada em impedir que a ilha formalize sua renúncia à idéia da reunificação.

China e Estados Unidos se aproximam, na busca de soluções negociadas para os desafios taiwanês e norte-coreano.

O namoro levou Richard Armitage, subsecretário de Estado norte-americano, a se descrever recentemente como “absolutamente gratificado com o estado de nossas relações com a República Popular da China”.

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