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Atualizado às: 01 de janeiro, 2004 - 21h32 GMT (19h32 Brasília)
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Olimpíadas retornam ao seu berço grego em 2004

O Estádio Olímpico de Atenas, ainda em construção
O Estádio Olímpico de Atenas, ainda em construção

A maior festa do esporte mundial voltará para casa de 11 a 29 de agosto, com a realização dos Jogos Olímpicos de Atenas.

Criadores das Olimpíadas no ano 776 A.C., os gregos foram também os anfitriões da primeira edição moderna do evento, em 1896. Deveriam ter cuidado também do centenário, mas perderam a parada para Atlanta e os dólares da Coca-Cola.

Em 1997, levaram a melhor na disputa contra os eternos rivais de Roma pelo direito de ser cidade-sede em 2004. Ainda que atrasos na construção de estádios e de melhorias na infra-estrutura de Atenas tenham deixado dúvidas sobre a eficiência dos organizadores (ainda mais depois de Sydney ter sido brilhante nesse quesito em 2000), as primeiras Olimpíadas do século 21 prometem ser um espetáculo com um charme especial.

O mundo do esporte, porém, espera que o retorno ao berço do movimento olímpico marque também o início de tempos de maior lisura nas competições. Há cerca de três meses, a descoberta de que uma nova droga (o esteróide anabolizante THG) estava sendo usada em larga escala por atletas de ponta, lançou enormes dúvidas sobre a índole das superestrelas de quadras, pistas e gramados.

Uma delas já terá de escolher entre a arquibancada ou a TV para acompanhar o evento. O inglês Dwain Chambers, campeão e recordista europeu dos 100m, talvez a prova mais nobre das Olimpíadas, foi apanhado duas vezes com THG em seu organismo num dos muitos exames surpresas feitos pelas autoridades esportivas. Precisará colaborar com o Comitê Olímpico Internacional nas investigações sobre o THG se quiser escapar da punição máxima por doping, a suspensão perpétua de competições nacionais e internacionais.

Os 100m, ainda assim, despontam como uma promessa de emoção em Atenas. Salvo contusões e outras peças do destino, a prova terá um duelo de dois opostos: dois robustíssimos americanos, o campeão olímpico dos 100m, Maurice Greene, e o recordista mundial, Tim Montgomery, medirão forças com Kim Collins, talvez o único esportista de elite já apresentado pela minúscual ilha caribenha de Saint Kitts and Nevis.

O velocista Kim Collins
O velocista Kim Collins

Apesar do físico franzino para os padrões das corridas de velocidade do atletismo, Collins deixou o mundo boquiaberto quando arrebatou a medalha de ouro no Mundial de Paris, em agosto, tornando-se apenas o terceiro atleta não-americano a tornar-se campeão mundial dos 100m. Um ano antes, ele humilhara Chambers & cia nos Jogos da Comunidade Britânica, em Manchester.

Basquete

O desempenho dos americanos também estará sob escrutinagem no basquete, com ênfase especial no masculino – ainda que os EUA tenham levado o ouro nas últimas três Olimpíadas. Mas em Sydney-2000, o time recheado de estrelas da NBA bateu a Lituânia por míseros três pontos na semifinal, aos trancos e barrancos.

No Mundial do ano passado, o vexame foi ainda maior: a equipe sequer chegou às semifinais de uma competição realizada diante de sua própria torcida, em Indianápolis. Terminou num medíocre sexto lugar. O feminino venceu as últimas duas Olimpíadas e Campeonatos Mundiais. Mas a perseguição de Austrália, Rússia e Brasil não pode ser menosprezada.

A natação também promete disputas de encher os olhos. Os resultados do Campeonato Mundial, em julho, transformaram num bicho-papão o americano Michael Phelps, que bateu cinco recordes mundiais e conquistou quatro medalhas de ouro nas piscinas de Barcelona.

O nadador Michael Phelps
O nadador Michael Phelps

Phelps, porém, nunca foi a uma Olimpíada. Em Atenas, não será possível desprezar o fato de que dois de seus principais adversários, o australiano Ian “Torpedo” Thorpe e o russo Alexsandr Popov já passaram a experiência de não apenas participar dos Jogos, mas como a de ganhar medalhas de ouro.

Os fãs de esportes coletivos terão ainda o futebol e o vôlei para curtir. Especialmente os brasileiros, esperando por medalhas nos dois esportes mais populares de seu país.

Brasileiros

Ainda que a configuração final da delegação olímpica esteja longe de definida, o Brasil irá aos Jogos de Atenas com chances reais de medalha em pelo menos onze modalidades.

Apenas uma delas, a ginástica artística, jamais contribuiu para as conquistas verde-amarelas na competição. Dessa vez, no entanto, as piruetas da gaúcha Daiane dos Santos poderão fazer com que até típicos torcedores machões conversem no bar sobre assuntos como exercícios de solo e saltos. A torcida maior, entretanto, será por medalhas de ouro, metal que o Brasil só viu de longe nos Jogos Olímpicos de Sydney-2000.

Depois de décadas celebrando colocações na periferia do pódio, a ginástica brasileira agora se acostuma com a atenção recebida nas competições internacionais. Culpa de Daiane, que em 2003 conquistou a medalha de ouro nos exercícios de solo do Mundial de Anaheim (EUA) e da Copa do Mundo de Stuttgart (Alemanha), com direito a um inovador tipo de salto mortal, o duplo twist-carpado, depois batizado como “Dos Santos” pela Federação Internacional de Ginástica.

O futebol e o vôlei de quadra são as modalidades em que os atletas brasileiros terão mais expectativas e cobranças sobre os ombros. O país pentacampeão mundial jamais conquistou o ouro olímpico, mas encontra-se num momento privilegiado no que diz respeito aos resultados internacionais, com a conquista de títulos consecutivos da Copa do Mundo e dos mundiais sub-17 e sub-20.

E o técnico Ricardo Gomes não vai abrir mão da chance de usar três jogadores com idade superior a 23 anos, abrindo a possibilidade de um time mesclado de juventude e experiência em Atenas. Ronaldo e Roberto Carlos já se disseram interessados.

No papel, excelentes chances de uma medalha de ouro. Mas a experiência da seleção brasileira nas Olimpíadas são exemplo de que a vida real costuma ignorar planos.

O feminino ainda não conquistou um título mundial, mas foi bronze no Mundial de 1999, semifinalista nas duas últimas Olimpíadas e nem mesmo a eliminação prematura no Mundial dos EUA, no ano passado, deixa dúvidas sobre a qualidade das jogadoras. Resta saber se a Confederação Brasileira de Futebol conseguirá harmonizar atletas e comissão técnica.

Vôlei

O vôlei masculino colecionou um festival de títulos desde que Bernardinho assumiu o comando da equipe, em 2001, incluindo o Mundial da Argentina (2002) e a Copa do Mundo do Japão (2003). A consagração, porém, trouxe também a “lógica” de que é preciso repetir em Atenas o ouro conquistado em Barcelona, há quase 12 anos.

As chances são grandes, não só por conta dos resultados, mas pelo fato de que Bernardinho montou um dos grupos mais homogêneos da história do esporte brasileiro, em que o nível é praticamente o mesmo entre titulares e reservas. Sérvia e Montenegro, Rússia e Itália, porém, são sempre ameaças para lá de perigosas.

Já a equipe feminina perdeu Bernardinho e viveu uma crise que culminou com a demissão de seu substituto, Marco Aurélio Motta. Em seu lugar entrou José Roberto Guimarães, o estrategista da campanha dourada do masculino em Barcelona. Um nome que trouxe de volta jogadoras fundamentais como Virna, que teve sérios desentendimentos com Marco Aurélio.

O sinal promissor da recuperação veio com o terceiro lugar na Copa do Mundo, que classificou o time para as Olimpíadas. Uma ida às semifinais é esperada, mas rivais como Itália, EUA, Rússia e China, sem falar em equipes “casca de banana” (Coréia do Sul e a hoje claudicante Cuba, por exemplo), estarão no caminho.

Na praia, as duplas brasileiras vão pisar a areia sob pressão. Embora volta e meia vençam o circuito mundial, as parcerias verde-amarelas deixaram escapar o ouro em Sydney. O masculino ao menos conseguiu a prata, depois de passar em branco na estréia da modalidade, em Atlanta. O feminino conta com um ouro, duas pratas e um bronze.

Na temporada 2003, Ricardo e Emanuel venceram o circuito, com Benjamin e Márcio em segundo. Ana Paula e Sandra Pires levaram o troféu no feminino, com as vice-campeãs olímpicas Shelda e Adriana Behar em terceiro.

Atletismo

No atletismo, as maiores chances de medalha estão no revezamento 4x100m, prata em Sydney e bronze no Mundial de Paris (haverá promoção para a medalha de prata, pois Dwain Chamber correu na equipe que terminou à frente dos brasileiros). Nas provas individuais, as esperanças estão depositadas no novato Jadel Gregório, segundo colocado no ranking mundial do salto em distância em 2003.

Rodrigo Pessoa é a referência no hipismo. Na competição por equipes, ele comandou o time bronze olímpico em 1996 e 2000. Pessoa era tido como o dono da medalha de ouro individual em Sydney, mas não contava com o “branco” que vitimou seu cavalo, Baloubet du Rouet.

Judô e a vela são esportes que tradicionalmente trazem medalhas, mesmo quando as expectativas são modestas (o maior exemplo foi o ouro do então desconhecido Rogério Sampaio em Barcelona-92).

Gustavo Kuerten
O tenista brasileiro Gustavo Kuerten

O tênis depende em muito da presença de Gustavo Kuerten e de seu desembaraço no piso de cimento que será utilizado pelos gregos. A presença do tricampeão de Roland Garros ainda não está totalmente confirmada, bem como a de outras estrelas.

O australiano Lleyton Hewitt, número um do mundo em 2001 e 2002, já avisou que não vai. O Brasil tem como melhor resultado olímpico no tênis o quarto lugar de Fernando Meligeni em Atlanta-96.

A natação, que ao lado do judô e do vôlei de praia foi o único esporte brasileiro a conquistar medalhas em todas as três últimas edições das Olimpíadas, desta vez é zebra. O esporte ainda não encontrou substitutos à altura de Gustavo Borges e Fernando Scherer, que deverão depedir-se das competições de alto nível em Atenas. Eventuais surpresas poderão acontecer no triatlo, modalidade em que o Brasil tem se afirmado gradualmente no cenário internacional.

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