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Atualizado às: 29 de dezembro, 2003 - 15h32 GMT (13h32 Brasília)
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Líder do Irã promete reerguer Bam 'mais sólida'
Vítimas têm poucas chances sob a poeira
Vítimas têm poucas chances sob a poeira

O líder religioso do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, prometeu reconstruir a cidade histórica de Bam, destruída por um terremoto na última sexta-feira.

Khamenei visitou a cidade, que fica na Rota da Seda, e disse à população que a liderança do Irã divide a dor pela perda de cerca de 22 mil vidas na tragédia.

"Reconstruiremos Bam mais solidamente do que antes", disse Khamenei, que é autoridade máxima no país.

Segundo as autoridades, dezenas de milhares de pessoas precisam desesperadamente de alimentos, água e abrigo.

Bam foi devastada pelo pior terremoto a atingir o Irã em mais de uma década.

Cadáveres

O Ministério do Interior disse que a busca por sobreviventes deve continuar enquanto houver alguma chance de encontrar alguém com vida, mas, três dias depois do tremor, as esperanças estão diminuindo.

 Tudo o que encontraram nos últimos dois dias foram cadáveres

Mohammad Ehsani, médico

"Acho que podemos dizer que as buscas acabaram", afirmou o médico Mohammad Ehsani.

"Nos últimos dois dias, tudo o que foi encontrado sob os escombros foram corpos sem vida."

Segundo Ehsani, as prioridades agora são cuidar dos feridos e sobreviventes, que não têm abrigo ou comida, e enterrar os mortos.

Segundo um comunicado da província de Kerman, onde fica situada a cidade de Bam, o número total de mortos pode chegar a 30 mil, com informações de que outros vilarejos na região sofreram mais danos do que se pensava.

O presidente iraniano, Mohammad Khatami, também ia visitar a cidade nesta segunda-feira.

Esforços de ajuda

O pequeno aeroporto de Bam está lotado com aviões de carga estrangeiros e nacionais, carregando suprimentos.

Dois aviões americanos carregando alimentos e outros tipos de ajuda pousaram em Kerman no domingo - o primeiro avião americano a pousar no país desde a crise dos reféns no Irã, em 1981.

A Cruz Vermelha Internacional anunciou o envio de milhares de barracas, cobertores e aquecedores, além de 30 geradores elétricos.

Vítimas são enterradas em valas comuns
Vítimas são enterradas em valas comuns

O governo local está tentando fechar ao grande público as estradas de acesso a Bam, para tentar assegurar a chegada dos veículos de ajuda.

Há sinais de saques e pilhagens, e há informações de que homens armados em vans estavam roubando barracas e cobertores da organização humanitária Crescente Vermelho.

Também cresce a preocupação de que, caso os cadáveres não sejam retirados logo de sob os escombros, os sobreviventes contraiam doenças.

Os cemitérios estão lotados e os corpos estão sendo enterrados em massa, depois de um banho rápido com spray desinfetante.

Os esforços de ajuda foram abalados depois que um helicóptero iraniano que transportava suprimentos caiu nos arredores da cidade, provocando a morte de três pessoas.

Patrimônio histórico destruído

A maior parte do vilarejo histórico de Bam foi reduzida a poeira.

A maravilha arquitetônica de 2 mil anos era uma das principais atrações turísticas no Irã.

Mais de 200 mil pessoas moravam em Bam e nos vilarejos vizinhos.

O terremoto atingiu 6,3 graus na escala Richter, segundo fontes iranianas - um instituto geológico americano registrou 6,7 graus.

O tremor atingiu a cidade na madrugada de sexta-feira passada, quando a maior parte da população dormia.

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