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Atualizado às: 23 de dezembro, 2003 - 20h53 GMT (18h53 Brasília)
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Al-Qaeda está enfraquecida mas ainda é séria ameaça

Militares americanos
EUA e aliados prenderam ou mataram 3 mil membros da Al-Qaeda

Parece dificil de acreditar agora, mas no segundo trimestre de 2003 muita gente se peguntava se a rede Al-Qaeda estaria por um fio.

“A credibilidade da Al-Qaeda ‘está na mira’”, escreveu, em sua manchete, um jornal conservador de Washington no dia 24 de abril.

Por algum tempo, Osama Bin Laden e sua jihad - a guerra santa- mundial foram ofuscadas pela guerra no Iraque.

E como a Al-Qaeda não realizou nenhuma grande operação durante a guerra, especialistas começaram a imaginar que o poder do grupo estaria acabando.

Maré

No último dia 1º de maio, ao anunciar o fim dos grandes combates no Iraque, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, foi ousado o suficiente para dizer que “a maré estava virando” na guerra contra o terrorismo.

Como que para provar que o presidente estava errado, naquele mesmo mês sérios ataques foram realizados contra um condomínio de estrangeiros em Riad, capital da Arábia Saudita, e contra alvos judeus, em Casablanca, no Marrocos.

Capacidade

Estas e outras operações depois fizeram especialistas chegarem à conclusão de que a Al-Qaeda estaria mudando de estratégia.

Em primeiro lugar, o grupo estaria atacando alvos mais vulneráveis em Estados muçulmanos aliados dos Estados Unidos (Indonésia, Turquia, Paquistão, Arábia Saudita e Marrocos).

Isso sugeriria que a Al-Qaeda não tinha mais a capacidade de, pelo menos por enquanto, atingir alvos bem guardados na América do Norte ou na Europa.

E em segundo lugar, o grupo estaria transferindo a responsabilidade pelas operações para grupos aliados locais.

Entre estes grupos, estaria a Jemaah Islamia, o grupo do sudeste asiático que teria realizado o ataque em um hotel internacional de Jacarta em agosto de 2003 e também os bombardeios contra Bali em 2002.

Os ataques no Marrocos parecem ter sido uma operação conjunta, na qual agentes graduados da Al-Qaeda teriam trabalhado com jovens recrutados nas favelas de Casablanca.

Em alguns casos, a Al-Qaeda teria fornecido treinamento e dinheiro, enquanto em outros, apenas a inspiração.

Vítimas muçulmanas

Mas a nova estratégia traz grandes riscos.

Ações em países muçulmanos, mesmo muito bem planejadas, têm grande possibilidade de matar muçulmanos inocentes.

Os ideólogos da Al-Qaeda justificam as mortes de muçulmanos os classificando de mártires, mas ainda assim temem alienar muçulmanos simpáticos ao grupo.

Muitos muçulmanos ficaram horrorizados com a ação em Riad, que matou diversos estrangeiros vindos de outros países islâmicos, incluindo mulheres e crianças.

No mesmo mês, ataques tendo como alvo sinagogas e o consulado britânico em Istambul também mataram muçulmanos que estavam apenas passando pelo local.

Além disso, os ataques nestas duas cidade aconteceram durante o Ramadã, o mês sagrado para os muçulmanos.

Se esta tendência continuar, a imagem que Bin Laden e a Al-Qaeda tentam cultivar de serem uma espécie de Robin Hood do mundo islâmico pode acabar seriamente danificada.

Jihad no Iraque?

Uma das questões mais debatidas de 2003 foi se a Al-Qaeda estaria transformando o Iraque do pós-guerra em um novo campo de batalhas da jihad.

Militantes islâmicos, sem dúvida, foram ao Iraque para combater as tropas americanas, mas especialistas divergem quanto aos números e ao alcance destas ações.

É dificil acreditar que a Al-Qaeda tenha a sua própria rede montada e funiconando no Iraque, mas indivíduos muçulmanos – independentes ou aliados de Bin Laden – de fato parecem ter entrado no país e podem ter se unido a grupos leais a Saddam Hussein e outros membros da resistência sunita.

Alguns dos mais terríveis ataques suicidas – como os realizados contra a sede da ONU em Bagdá e contra as forças italianas na cidade de Nassíria – paracem trazer a assinatura da Al-Qaeda.

Mas é dificil apontar com precisão qual o papel da Al-Qaeda no Iraque.

Quem está ganhando?

Em um memorando do dia 16 de outubro, que acabou vazando para o público, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumesfeld, perguntava: “Estamos ganhando ou perdendo a guerra contra o terrorismo?”.

“Estariam as madras (escolas islâmicas em países como o Paquistão) conseguindo recrutar novos terroristas mais rápido do que os Estados Unidos conseguem matá-los ou prendê-los?”.

“Nós temos de gastar bilhões”, continuava o secretário, “enquanto os terroristas têm apenas de gastar alguns milhões.”

O memorando sugeria um realismo mais sombrio do que aquele revelado nas declarações públicas.

Sucesso

Mas os Estados Unidos e seus aliados também tiveram muitos sucessos.

Calcula-se que desde os ataque de 11 de setembro de 2001 a Nova York e Washington, mais de 3 mil membros da Al-Qaeda foram mortos ou capturados em 102 países.

Muitos bens da organização foram congelados e diversas instituições de caridade que a apoiavam estão sendo monitoradas ou foram fechadas.

Mas o consenso entre especialistas é que a Al-Qaeda – apesar de enfraquecida – vai permanecer um sério risco em 2004.

Outro 11 de setembro?

Embaixadas ocidentais na Arábia Saudita continuam com medo de novos ataques.

A tentativa de assassinato no dia 14 de dezembro contra o presidente Musharraf, do Paquistão – que por pouco não foi bem sucedida – foi uma lembrança da vulnerabilidade de um dos principais aliados dos Estados Unidos.

E embora não tenha havido nenhum grande ataque a capitais ocidentais desde o 11 de Setembro, analistas de segurança não descartam a possibilidade de isto acontecer.

Os especialistas observam que em declarações emtidas pel Al-Qaeda foram citados países europeus, como a Grã-Bretanha e a Itália, que estão apoiando os Estados Unidos.

E os americanos sentiram um frio na espinha em junho, quando autoridades disseram ter descoberto um plano da Al-Qaeda para destruir a ponte do Brooklin, em Nova York, descarrilar um trem em Washington e explodir um avião e diversos postos de gasolina.

A sensação nas grandes capitais do Ocidente é a de que a guerra ao terrorismo vai ser, citando Donald Rumsfelsd, “um longo e difícil caminho”.

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