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Satélites da ONU vigiam barreira israelense

Muro Israelense na Cijordânia
As imagens de satélite da ONU estão disponíveis a todos

A Organização das Nações Unidas (ONU) vem monitorando atentamente o desenho do polêmico muro que Israel está construindo na Cisjordânia.

A organização está usando fotografias de satélite dos 700 quilômetros da barreira que corta o território palestino.

O objetivo é oferecer dados geográficos a uma discussão repleta de elementos políticos.

“Fica evidente, ao se olhar a barreira pelas imagens de satélite, o dano causado às vilas palestinas, que estão sendo isoladas”, disse Alain Retiere, da Agência de Satélites da ONU.

"Ato ilegal"

Israel está construindo a cerca nos territórios palestinos ocupados para, segundo o país, "proteger seus cidadãos de atentados suicidas".

Partes da barreira são um verdadeiro muro de concreto, enquanto outras são compostas de estruturas de arame com 3 metros de altura, reforçadas por um fosso e por círculos de arame farpado.

Os palestinos argumentam que a cerca é desenhada para remarcar as fronteiras, adiantando-se a qualquer futuro acordo de paz.

A ONU se pronunciou contrariamente ao muro, descrevendo-o como ilegal.

Em um relatório publicado em setembro, a entidade diz que a barreira equivale a “um ato ilegal de anexação.”

Dificuldades de monitoração

As imagens estão sendo coletadas pelo satélite da agência Unosat para outro órgão da ONU, o Escritório para Coordenação de Assuntos Humanitários.

Seu escritório em Jerusalém está tentando formar um quadro preciso do impacto da cerca nas comunidades palestinas afetadas e analisar sua trajetória no futuro.

A tarefa vem se provando complicada, dadas as tensões envolvendo a barreira.

“Não é fácil monitorar a barreira desde o solo”, disse Retiere à BBC.

Acesso democrático

“Você não pode chegar muito perto da cerca, e o fato de estarmos fazendo trabalho de campo gera suspeitas.”

“As imagens de satélite são um meio prático e barato de monitorar a situação no solo e obter dados inquestionáveis.”

A agência mantém o argumento de que não está tomando partido na questão da cerca, mas é sua obrigação tornar a informação acessível a todos.

Tanto israelenses quanto palestinos têm acesso às imagens da cerca.

Evitar manipulação

A realidade que emerge dos dados coletados pela agência da ONU, entretanto, pode não agradar a Israel.

“Existe uma crescente conscientização de que este muro não tem a ver apenas com segurança”, disse Retiere.

No entanto, ele acredita que o trabalho pode ser uma contribuição positiva às negociações de paz.

No momento, as conversas acontecem em um clima de medo e desconfiança.

A agência aponta casos em que as imagens de satélite ajudaram a resolver disputas sobre terras, como em El Salvador e Nicarágua.

“O que queremos, modestamente, é fazer com que cada vez mais pessoas enxerguem a existência de imagens de satélite como um recurso”, explica Retiere.

“Quanto mais pessoas souberem disso, mais evitaremos a manipulação de informação, o que vem sendo um obstáculo para a resolução de conflitos, por séculos.”

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