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Bush cometeu erro ao promover guerra no Iraque, diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em almoço fechado com representantes da Liga Árabe, que acredita que o presidente americano, George W. Bush, cometeu um erro ao promover a guerra no Iraque. A reunião informal ocorreu depois do discurso de Lula no plenário da Liga Árabe, na cidade do Cairo, no Egito, na terça-feira. O teor do encontro foi revelado por ministros da comitiva de Lula que participaram do almoço. Lula disse ainda acreditar que, para qualquer chefe de Estado, é muito difícil admitir um erro, especialmente em ano eleitoral - em uma indicação de que Bush estaria ciente de que a guerra foi um erro, mas não poderia reconhecer isso por questões políticas. O ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, ressaltou que Lula disse mais de uma vez que não fazia aquelas afirmações para entrar em confronto com os Estados Unidos. "Lula disse que o Brasil não quer ser hegemônico em nada, nem na América do Sul. Disse que o Brasil quer ser parceiro", afirmou o ministro. Mares Guia disse ainda que o presidente deixou claro que os árabes não deveriam esperar uma redução ou mudanças na relação do Brasil com os Estados Unidos ou com a Europa. "O que nós queremos é vender. Foi o que o Lula disse", relatou o ministro do Turismo. Diplomacia As declarações dos ministros da comitiva de Lula sobre a reunião informal do presidente com representantes da Liga Árabe ocorreu no saguão de entrada do hotel onde Lula está hospedado em Trípoli, na Líbia.
Além de Walfrido Mares Guia, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, e o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, conversaram com a imprensa sobre as declarações de Lula. Todos fizeram questão de minimizar o impacto das críticas do presidente a Bush e disseram que as afirmações foram apenas uma descrição de Lula sobre o que o Brasil já acreditava em relação à guerra no Iraque. No entanto, um membro ligado à diplomacia brasileira – que está na comitiva, mas não ouviu as declarações de Lula e foi questionado sobre o assunto nesta quarta-feira – se mostrou surpreso com a atitude do presidente, mas não quis comentá-la. Retórica No almoço com representantes da Liga Árabe, Lula também retomou sua retórica de união política e comercial, disse que o Brasil tem de vender e comprar e brincou que o ministro Furlan "só quer vender". Também em tom de brincadeira, Furlan reagiu à afirmação do presidente ao dizer que quer "pechinchar" – em uma referência a sua tese de importar produtos dos países árabes, mas apenas se conseguir bons negócios. Depois de deixar o Egito, Lula foi recebido em Trípoli, na Líbia, pelo coronel Muammar Kadafi. Na conversa entre os dois, Kadafi disse que o mundo árabe tem uma economia pequena, menor do que a do Brasil, e está dividido, com a cultura como único elo. As palavras de Kadafi contrastaram com as de Lula, que pregou a união dos países do mundo árabe entre si e do mundo árabe com os sul-americanos. |
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