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Atualizado às: 14 de novembro, 2003 - 09h20 GMT (07h20 Brasília)
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MST vai a fórum alternativo 'ensinar' sem-terra da Bolívia

Encontro de líderes do MST com o governo no Brasil
Representantes do MST do Brasil vão se reunir com líderes sem-terra da Bolívia

Em meio aos milhares de indígenas, camponeses e líderes de organizações sociais bolivianas, dois representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) participam do Encontro Social Alternativo, evento paralelo que ocorre durante a 13ª Cúpula Ibero-americana, como convidados de honra.

Gilson Bonfim e Jacob Alberto Bamberg, do MST do Mato Grosso do Sul, viajaram a Santa Cruz de la Sierra com a disposição de transmitir aos bolivianos um pouco do trabalho da organização brasileira, que completa 20 anos em 2004.

“Queremos compartilhar experiências com eles”, disse Silvestre Saisari, presidente do MST de Santa Cruz de la Sierra.

“Sabemos que podem nos ajudar a melhorar nossa organização e estratégia para retomar terras que hoje se encontram nas mãos dos latifundiários."

Organização

Segundo Saisari, apesar do MST boliviano ter apenas três anos já está organizado em todos os estados do país.

De acordo com ele, o movimento se consolidou rapidamente, porque as pessoas estão conscientes da necessidade de ter terra para trabalhar e acabar com a situação de fome e miséria que padece a maioria dos bolivianos.

“O tema da terra é muito perigoso. Há pessoas, organismos internacionais do neo-liberalismo, tentando se infiltrar em nossas organizações com o propósito de barrar nossa luta para a retomada de terras”, explica o dirigente, que também é um dos coordenadores das inúmeras ocupações de terras em andamento no país nos últimos dias.

“Os brasileiros sabem muito sobre estas questões de segurança e, neste aspecto, podem nos passar muitas informações”.

Gilson Bonfim explica que o MST tem, como princípio, a decisão de ajudar qualquer povo camponês, ou envolvido com questões do campo.

“Existe uma grande demanda no MST da Bolívia, que está ligada a sua estrutura orgânica e a forma como eles vão encaminhar a luta pela terra”, afirma.

“Nossa intenção é dar uma assessoria do ponto de vista da organização do movimento social deles, a partir das reflexões e das experiências vividas no Brasil”.

Troca de experiência

Segundo Bonfim, a ajuda ao MST boliviano deve ser considerada como uma troca de experiência. Ele acredita que o Brasil também poderá aprender com o poder da força indígena e camponesa dos países vizinhos na luta dos movimentos sociais contra o modelo econômico neo-liberal.

“A força deles e a vontade que têm para transformar a Bolívia é semelhante a força das famílias brasileiras em ter sua segurança e dignidade”, assinala.

"No aspecto da organização, somos diferentes. O movimento deles segue um padrão sindical, enquanto nós somos uma organização de massas”.

Na avaliação de Bamberg, o MST da Bolívia ainda está engatinhando, a exemplo do que ocorreu com o movimento brasileiro durante seus primeiros anos de vida.

“É possível que eles enfrentem mais dificuldades do que nós, devido às inúmeras etnias existentes”, disse. “No Brasil não tivemos este tipo de problema, porque falamos o mesmo idioma, a maioria da população tem a mesma religião, a mesma cultura”.

Segundo Bamberg, os bolivianos têm muita curiosidade sobre os quase 20 anos de existência do MST e acreditam que os brasileiros tenham uma fórmula mágica para o sucesso da organização.

Bamberg classifica o Encontro Social Alternativo como estratégico, porque marca presença e tem o objetivo de unir forças com o governo boliviano no momento em que o país enfrenta grandes dificuldades.

Ele acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deva participar do final do evento, na tarde de sábado, por representar a esperança de todos os pobres e operários da América Latina.

Maria Eugenia Canedo, coordenadora do comitê organizador do evento, confirma que o presidente da Bolívia, Carlos Mesa, estará presente no final da tarde desta sexta-feira.

De acordo com ela, no sábado, os movimentos sociais farão o mesmo: participarão da 13ª Cúpula Ibero-americana, apresentando as resoluções do encontro paralelo aos 21 chefes de Estado e de Governo Ibero-americanos.

Entre os temas do Encontro Social Alternativo estão os direitos indígenas, impunidade, Alca, críticas ao modelo neo-liberal e corrupção. O principal objetivo é discutir e buscar alternativas para a crise que vive o país.

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