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Atualizado às: 11 de novembro, 2003 - 14h28 GMT (12h28 Brasília)
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União Européia admite melhorar oferta agrícola ao Mercosul

Celso Amorim
Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do Brasil

Bruxelas sediará, nesta quarta-feira, a 11ª rodada de negociações entre o Mercosul e a União Européia (UE) para a concretização de um acordo de livre comércio, cooperação tecnológica e diálogo político entre os dois blocos econômicos.

Os principais negociadores da Comissão Européia (CE) para o Mercosul, Hervé Jouanjean e Karl Falkenberg, afirmaram, às vésperas da reunião, que a UE está disposta a aumentar o número de cotas de produtos agroalimentares de alto interesse exportador para os países latinos, como carne, tabaco, açúcar, cereal, lácteos, arroz, trigo, azeite de oliva, entre outros.

Segundo eles, porém, a Comissão continua decidida a não adicionar tais produtos à lista de desgravação tarifária (eliminação gradual de tarifas), visto que são artigos que estão fora da oferta comunitária dentro do processo de negociação para o livre comércio inter-regional.

De acordo com a Comissão Européia (CE) e a embaixada brasileira junto à UE, o encontro servirá para avaliar os níveis de interesse dos dois lados e estabelecer um programa de trabalho que permita o fechamento do acordo antes de outubro de 2004, quando termina o mandato do italiano Romano Prodi na CE.

Otimismo

O embaixador brasileiro para a UE, José Alfredo Graça Lima, confirma que trata-se de uma novidade nas negociações entre os dois blocos.

"A UE está acenando com a possibilidade de acesso ao mercado comunitário através de cotas, e não pela diminuição ou pelo corte de tarifas. Agora basta saber o tamanho dessas cotas", afirmou o embaixador à BBC Brasil.

De qualquer forma, não será da reunião desta quarta-feira que sairá uma decisão sobre o assunto. "Desta vez estaremos voltados para a agenda das negociações, não se entrará em questões específicas, apenas desenharemos metas", acrescentou Graça Lima.

Segundo o embaixador, o prazo para concluir um acordo entre o Mercosul e a UE antes de novembro de 2004 é ambicioso. "Se as duas partes demonstrarem disposição política, é uma meta possível, caso contrário, teremos que esperar a formação da nova Comissão e recomeçar a discussão", explicou.

Porém, Arancha González, porta-voz de Pascal Lamy (comissário europeu para o Comércio), afirma que a UE não trabalha com datas, mas com objetivos. "É de conhecimento geral que a UE tenta fechar os acordos comerciais o mais rapidamente possível, mas sem estipular prazos", disse González.

A proposta do Mercosul para os próximos passos da negociação é semelhante à que será oferecida pela UE esta semana. Ela se baseia em seis rodadas de negociação até setembro do próximo ano e uma ministerial a ser realizada em outubro para que se reavalie o processo.

"O Mercosul tenta fixar datas, mas a Comissão prefere trabalhar com metas. Se negociado dentro das datas marcadas, o acordo será fechado o mais rápido possível", explicou Falkenberg.

Encontro

Os ministros brasileiros Celso Amorin (Relações Exteriores) e Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) desembarcam hoje em Bruxelas, assim como os representantes do Uruguai, Argentina e Paraguai.

Amanhã haverá um encontro de coordenação entre as delegações antes de começar a programação com os comissários europeus.

O encontro deverá começar às 9h e será concluído às 17h, com a participação dos comissários europeus para o Comércio e Relações Exteriores, Pascal Lamy e Chris Paten.

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