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Ópio movimenta 'US$ 2,3 bi no Afeganistão'
A produção de ópio está aumentando e há risco de o Afeganistão voltar a ser um "Estado falido", administrado por cartéis de drogas, segundo a agência de combate às drogas da Organização das Nações Unidas (ONU). Traficantes e produtores de ópio levaram ao país uma receita de US$ 2,3 bilhões em 2003, de acordo com o relatório da ONU. "Parte considerável desses recursos vai para administradores de províncias e comandantes militares", disse o diretor do agência da ONU para drogas e crime, Antonio Maria Costa. Segundo ele, o país está em uma encruzilhada, correndo o risco de cair nas mãos de "cartéis de drogas e narcoterroristas". O Afeganistão é o maior produtor mundial de ópio ilícito. Crescimento Em sua pesquisa anual, a agência – que é baseada em Viena – descobriu que a papoula de ópio está sendo plantada em 28 das 32 províncias do país. O levantamento constatou que, embora as medidas adotadas pelo governo de Hamid Karzai tenham ajudado a reduzir a produção em algumas áreas tradicionais, o cultivo está se espalhando rapidamente em áreas novas. A produção aumentou em 6% no ano passado, chegando a 3,6 mil toneladas, de acordo com a agência da ONU para drogas e crime. "Quanto mais eles se acostumarem com isso, será menos provável que eles respeitem a lei, sejam leais a Cabul e apóiem a economia legal", disse Costa. "Os terroristas também ficam com uma parte. Quanto mais o tempo passa, maior a ameaça à segurança dentro do país e em suas fronteiras", acrescentou. Tadjiquistão Guardas na fronteira entre o Afeganistão e o Tadjiquistão afirmaram ter apreendido uma tonelada de narcóticos em outubro, um aumento de oito vezes em relação ao ano passado. O Tadjiquistão se tornou um corredor de exportação fundamental entre os campos de papoulas do Afeganistão e os mercados da Europa e dos Estados Unidos, segundo Monica Whitlock, repórter da BBC que viajou pela região. Segundo ela, os narcóticos estão se tornando parte da paisagem do Tadjiquistão, e muitos lares agora estão afetados por eles. Homens e mulheres trabalham como carregadores, levando pequenas porções para os intermediários. Guerra ao terrorismo Alguns deles são presos e morrem em prisões, depois de engolir os pacotes que carregavam. Costa disse que gostaria de ver as forças militares internacionais no Afeganistão serem mais atuantes na prisão de traficantes e na destruição dos laboratórios de drogas. "Alguns países acreditam que os militares não deveriam se envolver na destruição do tráfico", disse ele. "Outros países pensam de forma diferente". "Acredito que a guerra contra o terrorismo, deixando de lado o vício, não será ganha, a não ser que controlemos a economia do ópio no Afeganistão". |
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