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Colombianos vão às urnas em meio a violência
A exemplo do referendo que ocorre no sábado, as eleições regionais de domingo também servirão para avaliar a popularidade do presidente Álvaro Uribe e a efetividade da sua política de segurança. Como já aconteceu em eleições anteriores, os colombianos vão votar em meio a um clima de violência e intimidação contra os próprios eleitores e candidatos. Nos últimos meses, foram assassinados 17 aspirantes a prefeito, onze a vereador e um a governador. Outros seis tiveram mais sorte e sobreviveram a atentados, e 13, que também estavam disputando prefeituras, foram seqüestrados por grupos armados ilegais em ação no país. Em função da violência da campanha, Diego Cardona, diretor do Centro de Estudos Políticos e Internacionais da Universidade do Rosário, acredita que a abstenção ficará entre 40% e 60%, uma media histórica na Colômbia, onde o voto não é obrigatório. Farc Segundo o analista político Antonio Sanguino, o trabalho de sabotagem das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estará mais concentrado na votação de sábado que na de domingo. Ele acredita que a guerrilha fará de tudo para que o governo não consiga atingir o mínimo de 25% dos votos dos colombianos aptos a participar do processo eleitoral. “Eles sempre tentam de tudo para participar da atividade política do país. Nos pequenos municípios e zonas rurais onde têm influência, a guerrilha fará de tudo para que as pessoas não saiam para votar”, afirma Sanguino. “Já os paramilitares, vão obrigar as pessoas a dizer sim ao referendo”. Sanguino acredita, no entanto, que as ações das Farc no domingo serão menores que nos anos anteriores. Poder ameaçado Mas, de acordo Sanguino, a situação dos candidatos que forem eleitos seguirá inalterada. Ele afirma que o governo não terá como garantir segurança em todos os 1.098 municípios e 32 estados do país. E, por causa disso, a ameaça sobre o poder local permanecerá inalterada. Apesar da grande ofensiva do governo contra os grupos guerrilheiros, somente no município de Hacarí, no estado do Norte de Santander, fronteira com a Venezuela, 22 candidatos a vereador apresentaram renúncia na semana passada, depois de serem ameaçados por integrantes das Farc. Conforme números da Federação Colombiana de Municípios (FCM), 24 candidatos a prefeito renunciaram. O mesmo ocorreu com 183 aspirantes a vereador. “Está sendo uma campanha diferente”, disse Gilberto Toro, diretor executivo da FCM. “Muitos candidatos não conseguem sair de casa. Estão fazendo campanha por telefone, ou através de mensagens enviadas por intermediários”. Segurança Conforme Marta Lucía Ramírez, ministra da Defesa, 270 mil homens das Forças Armadas Colombianas e da Polícia e três mil soldados camponeses estarão na ruas do país para proteger as estradas, a rede de energia elétrica, além das nove mil mesas de votação. A preocupação das autoridades é justificada pela ofensiva dos grupos armados nos últimos meses da campanha eleitoral. Além dos seqüestros, assassinatos e ameaças dos grupos armados, dois atentados com carro-bomba explodiram em Bogotá nos últimos dias, deixando um saldo de seis mortos e 24 feridos. Entre o começo de setembro e os primeiros 20 dias deste mês, explosões ocorridas em outras partes do país mataram 20 pesssoas e deixaram pelo menos outras 90 feridas. Segundo Diego Cardona, nestas eleições, estará em jogo o poder dos partidos politicos. “Em muitas cidades, os candidatos dos dois maiores partidos colombianos, o liberal e o conservador, não aparecem como os preferidos nas pesquisas”, afirma Cardona. “Estas eleições devem server de termômetro sobre o futuro dos partidos tradicionais”. Teste de popularidade Na avaliação do cientista político Otty Patiño, o teste de popularidade do presidente Uribe poderá ser medido nas grandes cidades do país, como Bogotá, Medellín e Cali, onde representantes de centro-esquerda e de oposição aparecem com grande possibilidade de serem eleitos. “A legitimidade do presidente está em jogo”, diz Patiño. “Ele não quis organizar um partido reunindo todos os uribistas. “Agora, apesar de ter maioria no Congresso, corre o risco de perder as eleições nas cidades mais importantes da Colômbia”. Segundo o analista, a democracia colombiana também será posta à prova em mais um enfrentamento com os grupos guerrilheiros. De acordo com ele, nas regiões remotas do país, o governo terá a oportunidade de provar se sua política de segurança funcionou e se conseguirá garantir eleições livres, transparentes e sem a influêcia dos grupos armados. Estarão participando destas eleições 76.200. A partir das 18 horas desta sexta-feira está proibida a venda de bebidas alcoólicas, o transporte de botijão de gás, o porte de armas e o trânsito de motoqueiros com acompanhantes no banco do carona. Já os hospitais públicos vão estar operando em sistema de alerta para atender qualquer situação de emergência. |
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