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Atualizado às: 16 de outubro, 2003 - 22h52 GMT (19h52 Brasília)
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Lula conversa com estudantes e 'piqueteiros' argentinos

Lula
O presidente Lula, em visita à Argentina

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria dito a estudantes em Buenos Aires nesta quinta-feira, que é "difícil" ser presidente, mas que é "gostoso" viajar.

O presidente teria dito a frase a um grupo de oito criancas argentinas que estudam em escolas bilíngües (português e espanhol) na Argentina. Foi o que contou o aluno Alexis Maximiliano Lopez, de 9 anos.

"Um menino perguntou se era difícil ser presidente, e Lula disse que sim, mas que é gostoso porque pode viajar", relatou o estudante.

Pouco depois, em discurso para empresários, Lula destacou a importância das negociações da Alca, desde que não prejudiquem os objetivos do Brasil.

No fim da tarde, o presidente ainda se encontrou com sindicalistas e representantes do chamado movimento piqueteiro.

Depois do encontro, o representante da CGT (Central Geral dos Trabalhadores), Rodolfo Daer, disse à BBC Brasil que o discurso de Lula foi uma "aula inesquecível" para o sindicalismo e manifestantes sociais em geral.

"Ele disse que o crescimento econômico com justica social não pode ser possível sem a presença e a participação dos movimentos sociais".

Descontração

O encontro com estudantes de escola foi realizado na embaixada do Brasil em Buenos Aires e não foi o único momento de descontração da viagem do presidente Lula à Argentina.

Pouco antes do encontro entre os presidentes Lula e Néstor Kirchner, na Casa Rosada, o porta-voz da Presidência da Argentina, Miguel Nuñez, reconheceu que a relação entre os dois presidentes estremeceu, quando Lula não telefonou para dar seu apoio a Kirchner no dia da decisiva negociação entre o governo argentino e o FMI, no mês passado.

Quando perguntado se a visita de Lula selará para sempre a paz entre os dois, Miguel respondeu: "Não existe amor eterno".

Depois de receber os alunos na embaixada do Brasil, o presidente Lula pôs flores no monumento do general San Martin, o libertador.

Lula estava acompanhado de seis ministros entre eles Antonio Palocci, da Fazenda, e Celso Amorim, das Relações Exteriores.

Quando deixava o local, Lula foi aplaudido por brasileiros que vivem na Argentina.

Na mesma cerimônia, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Rafael Bielsa, quebrou o protocolo ao citar uma música de Luiz Gonzaga.

Bielsa foi entrevistado pelos humoristas de um programa de TV. O repórter perguntou a Bielsa sobre sua viagem a Cuba, realizada na semana passada.

"É verdade que Fidel Castro está gagá?", indagou o repórter. O ministro respondeu: "Não, teremos Fidel por muito tempo ainda".

Entre os acordos assinados por Lula em Buenos Aires, além do Consenso de Buenos Aires e da livre circulação de pessoas de um e outro lado das fronteiras, os presidentes Lula e Kirchner, junto com ministros dos dois países, criaram uma comissão para monitorar o comércio dos dois países.

O objetivo é evitar as queixas dos empresários argentinos contra o que chamam de "invasão" de produtos brasileiros a preços mais baixos no mercado argentino.

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