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Atualizado às: 15 de outubro, 2003 - 15h43 GMT (12h43 Brasília)
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Consenso de Buenos Aires é recebido com apatia

Os presidentes Lula e Kirchner
Presidentes teriam políticas econômicas diferentes

O chamado Consenso de Buenos Aires, que será assinado nesta quinta-feira pelos presidentes brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Néstor Kirchner, está causando pouco entusiasmo entre analistas.

O documento, que deverá ter 20 pontos, prevê, por exemplo, que os dois países paguem suas dívidas, mas que a prioridade é o crescimento econômico. O texto destaca que a questão social, como a geração de emprego e o combate à pobreza, é fundamental.

Para o professor de Relações Internacionais da Universidade Torcuato Di Tella, Sérgio Berensztein, o acordo poderá simbolizar uma nova etapa na relação entre os dois países. "Desta vez, mais madura", entende. "Na primeira etapa desta relação, antes de se pensar em Consenso de Buenos Aires, o presidente Kirchner esteve totalmente apaixonado pelo governo Lula. Numa segunda etapa, teve aversão à sua política econômica. Agora, é um novo momento."

O cientista político Rosendo Fraga, do Centro de Estudos União para a Nova MaIoria, acha que o Consenso de Buenos Aires limita-se a um "gesto político". Fraga voltou a ser cético quando questionado sobre o conteúdo do documento. "É uma declaração política."

Políticas diferentes

Ouvidos pela BBC Brasil, Berensztein, Rosendo e o filósofo Gregório Klimosvy, professor emérito da Faculdade de Filosofia da Universidade de Buenos Aires, concordaram, porém, que Brasil e Argentina passam por situações diferentes, especialmente na política econômica.

Os três definiram a política do presidente Lula como "ortodoxa" e a de Kirchner como "hetedoroxa".

"Neste sentido, o Consenso de Buenos Aires será positivo para os dois presidentes", avalia Berensztein.

"Com o destaque para as preocupações sociais, Lula volta às suas origens, e Kirchner reafirma sua postura de dar prioridade ao tema", completa.

Mas tanto Berensztein quanto Rosendo advertiram que o acordo não será suficiente para enfrentar o desafio da problemática social - pobreza e desemprego, por exemplo - vivida hoje pelos dois países.

Caminhando juntos

Na opinião de diplomatas argentinos e brasileiros consultados pela BBC Brasil, o Consenso de Buenos Aires pretende, principalmente, confirmar que os dois países caminham juntos, apesar de terem adotado linhas econômicas diferentes.

"Definitivamente, este Consenso de Buenos Aires não vai entrar para a história", ressalta Rosendo.

"Dificilmente ele vai virar realidade. As coisas não são assim tão simples. Não se cumpre um desejo com um documento. É um pouco mais complicado", acrescenta.

Por causa do conteúdo centrado na questão social, o Consenso de Buenos Aires chegou a ser considerado uma proposta para fazer frente ao Consenso de Washington – como ficou conhecida a prática de privatização, liberalização comercial, rigor fiscal e desregulamentação defendida por instituições como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.

Na semana passada, os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, e da Argentina, Rafael Bielsa, negaram que o acordo entre os dois países tenha tal objetivo. "O Consenso de Washington está tão ultrapassado que não precisa de nada para se contrapor a ele", disse Amorim.

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