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Kosovo tem 1ª negociação desde guerra de 1999
As primeiras negociações entre autoridades sérvias e albanesas de Kosovo desde a guerra de 1999 estão sendo realizadas em Viena, na Áustria. As delegações estão sendo lideradas pelo primeiro-ministro sérvio, Zoran Zivkovic, e o presidente de Kosovo, Ibrahim Rugova. O primeiro-ministro de Kosovo, Bajram Rexhepi, no entanto, manteve sua decisão de não participar da rodada – patrocinada pela União Européia – por acreditar que este ainda "não é o momento certo". Kosovo tem sido administrada pelas Nações Unidas desde a guerra de 1999, ao final da qual as forças sérvias se retiraram da província por causa da campanha realizada pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico-Norte). Segundo uma resolução da ONU, a província ainda é oficialmente parte da Sérvia e Montenegro, mas, na realidade, Belgrado não tem nenhum poder em Kosovo, segundo o correspondente da BBC Matthew Price. Divisões Price afirma que o encontro em Viena é, em grande parte, simbólico, e o assunto mais polêmico – o status final de Kosovo – não deverá ser discutido. Os sérvios dizem que Kosovo é parte da Sérvia. Já a maioria albanesa na província quer a independência. As negociações deverão estar centralizadas em quatro áreas: o retorno de refugiados, as pessoas desaparecidas, transporte e comunicações e energia. A rodada deverá tratar de temas delicados como o destino de 3,7 mil pessoas ainda desaparecidas em Kosovo, a maioria delas de albaneses, e o futuro de mais de 100 mil sérvios que fugiram depois que as tropas sérvias se retiraram. O correspondente da BBC diz que sérvios e albaneses ainda estão profundamente divididos em relação ao status de Kosovo, e o principal problema continua. Os albaneses não confiam nos sérvios, os sérvios não confiam nos albaneses. Kosovo, segundo Price, está longe de ser o lugar multiétnico em que a comunidade internacional e alguns moradores acreditam. Muitas crianças sérvias, por exemplo, vão a escolas exclusivamente de sérvios, depois de terem sido discriminadas pelos pais de estudantes albaneses. Mas há histórias de sucesso. A polícia de Kosovo, por exemplo, conta com sérvios e albaneses trabalhando juntos. Cerca de 16% dos policiais são de não-albaneses, a maioria deles de sérvios. Aceitação implícita O primeiro-ministro de Kosovo diz que não está participando das negociações em Viena porque não recebeu autorização da assembléia da província, que, na semana passada, não colocou o assunto em sua agenda de discussão. Muitos albaneses também estão preocupados que a participação deles iria ser vista como uma aceitação implícita da recente declaração da Sérvia de sua soberania sobre Kosovo. Analistas afirmam que nenhum dos dois lados parecia estar realmente interessado nas negociações, lideradas pelo chefe da missão da ONU na província, Harri Holkeri. A União Européia enviou ao encontro o seu chefe para política exterior, Javier Solana, e o comissário para assuntos externos, Chris Patten. Eles foram acompanhados pelo secretário-geral da Otan, George Robertson. |
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