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Confrontos matam pelo menos 26 na Bolívia
Pelo menos 25 civis e um soldado morreram em novos confrontos entre tropas do governo e manifestantes de oposição, na Bolívia, durante o domingo. As primeiras informações eram de que dez pessoas haviam morrido, mas o número aumentou após uma contagem mais detalhada feita pela polícia. O número de feridos também aumentou para 94 pessoas. Como resposta aos conflitos, o presidente boliviano Gonzalo Sánchez de Lozada anunciou que ainda não foi tomada nenhuma decisão sobre a exportação de gás boliviano por meio de um porto chileno, um dos motivos dos protestos. O governo disse que uma decisão final só será tomada no final de Dezembro, “após todos os setores da sociedade forem consultados”. Os choques do fim de semana estão entre os mais violentos desde que, a partir de meados deste ano, os protestos contra o governo começaram a aumentar. Os confrontos aconteceram em El Alto – cidade de 500 mil habitantes nos arredores de La Paz. 'Guerra do Gás' Entre outras reivindicações, os manifestantes querem a suspensão dos planos da Bolívia de aumentar as exportações de gás natural, provavelmente para o México e para os Estados Unidos. Há uma série de motivos apresentados pela oposição para ser contra as exportações. Os defensores da chamada guerra do gás alegam que o produto deveria ser usado para abastecer, gratuitamente, 250 mil residências que não têm acesso a gás – e não para supostamente favorecer multinacionais. Eles também defendem que o gás seja processado na Bolívia para que o país busque vender um produto com maior valor agregado. Além disso, parte da oposição reclama que o produto teria de ser exportado via Chile, por uma área que já foi território boliviano. Já o governo diz que a campanha contra a venda de gás faz parte de uma conspiração liderada pelo deputado oposicionista Evo Morales, que estaria planejando derrubar o presidente Gonzalo Sánchez de Lozada por meio de um golpe de Estado. Falta de comida Diante do impasse político, o país mais pobre da América do Sul acumula cada vez mais prejuízos. Falta combustível e comida e companhias aéreas suspenderam seus vôos para o país. Evo Morales, líder dos produtores de coca da região de Chapare, no centro da Bolívia, nega as acusações de golpe, alegando que o próprio governo estaria tentando dar um "autogolpe" para suprimir a oposição do país. O deputado já convocou para esta segunda-feira uma série de bloqueios na principal estrada que liga o oeste ao leste da Bolívia. A morte de mais manifestantes pode dar novo fôlego a uma greve geral até então fracassada que havia sido convocada duas semanas atrás pela Central de Trabalhadores da Bolívia, pela renúncia de Sánchez de Lozada. |
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