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Atualizado às: 13 de outubro, 2003 - 19h25 GMT (16h25 Brasília)
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Análise: O plano de paz 'virtual' para o Oriente Médio

Mesquita do Domo da Rocha
Mesquita do Domo da Rocha ficaria sob soberania palestina

Um acordo não oficial, ou "virtual", entre israelenses e palestinos moderados aumentou as esperanças de uma eventual trégua no Oriente Médio, mas também trouxe uma chuva de protestos de ministros do governo israelense.

O acordo foi rubricado na Jordânia no fim de semana e há planos para que seja assinado em Genebra no mês que vem.

Não há esperança de que o "Acordo de Genebra", como os jornais israelenses o estão chamando, seja aplicado no futuro próximo.

A realidade presente é de conflito e não de acordos, mas o documento oferece uma visão alternativa e uma referência para os que buscam algum tipo de solução de meio-termo.

Pontos Básicos

O documento também serve como uma alternativa para a estratégia atual de negociações, representada pelo plano de paz defendido por Estados Unidos, Rússia, União Européia e ONU.

A proposta internacional tenta criar condições seguras sob as quais um acordo possa ser feito.

O "Acordo de Genebra" reverte isso ao propor um acerto, ou acordo inicial, que posteriormente levaria à paz.

O plano alternativo resolve questões ainda não acertadas, incluindo o direito de retorno para refugiados palestinos, o controle de Jerusalém e os assentamentos israelenses na Cisjordânia.

Os pontos básicos são os seguintes:

  • Os palestinos reconheceriam a existência de Israel, que voltaria a respeitar as fronteiras estabelecidas em 1967, mas com a possibilidade de uma ou duas transferências de terra, que teriam de ser acertadas entre as partes.
  • os palestinos abririam mão do direito de retorno de dezenas de milhares de refugiados que partiram ou foram expulsos durante guerras no passado. Alguns poucos poderiam voltar, mas apenas com a permissão de Israel. Outros receberiam alguma forma de indenização.
  • Jerusalém seria dividida administrativamente, mas não fisicamente. Uma das localidades geradoras de maior polêmica, o Monte do Templo, ou Haram Al-Sharif, como os árabes o chamam, ficaria sob soberania palestina. Uma força internacional garantiria o acesso de visitantes. Os israelenses manteriam o controle sobre o Muro das Lamentações, logo abaixo do monte.
  • Israel manteria alguns assentamentos, especialmente em torno de Jerusalém, mas o grande assentamento de Ariel, no centro da Cisjordânia, seria incluído na área palestina.
  • O Estado palestino seria desmilitarizado.

Os pontos mais delicados parecem ser as questões do direito de retorno e da divisão de Jerusalém.

Ao desistir de seu precioso "direito de retorno", os palestinos estariam abandonando as esperanças de recriar um Estado palestino unificado.

Ao desistir formalmente do controle sobre o Monte do Templo, os israelenses estariam aceitando a divisão de Jerusalém, algo a que sempre se opuseram.

Os negociadores

As pessoas por trás desse documento são conhecidas por suas tentativas anteriores de apontar um caminho à frente, especialmente o Acordo de Oslo.

No lado israelense, o ex-ministro trabalhista Yossi Beilin é a figura principal, mas há outros, incluindo Amram Mitzna, que liderou durante curto período o Partido Trabalhista, e o escritor Amos Oz.

Segundo Yossi Beilin, seus críticos diriam que "este é um acordo ruim, que nós cedemos e desistimos de tudo, mas o que não poderão dizer é que não há um parceiro (para se negociar com)".

No lado palestino, a principal liderança é Yasser Abed Rabbo, um ex-ministro palestino que chamou este momento de "início de uma nova era".

Segundo relatos, o líder palestino Yasser Arafat estaria sendo informado do andamento das discussões, mas não é claro se ele apóia o novo plano.

Protestos

A "nova era", no entanto, está bem distante. Ministros israelenses fizeram fila para protestar contra o acordo.

"Existe um governo em Israel e tudo mais é virtual na melhor das hipóteses", disse o ministro das Relações Exteriores, Silvan Shalom.

"Existe um plano de paz, e não ajuda muito as pessoas pensarem que pode haver um outro", afirmou o primeiro-ministro Ariel Sharon.

De fato, o pensamento no governo israelense parece seguir na direção apontada por um ministro, Ehud Olmert, ex-prefeito de Jerusalém, na semana passada.

Olmert disse que um acordo com os palestinos é "impossível" e que "nós estamos muito mais perto de um processo unilateral que vai criar fatos irreversíveis".

Isso quer dizer que Israel decidiria sozinho onde suas fronteiras devem ficar. O vão entre essa visão e aquela embutida no plano não oficial é amplo, talvez impossível de ser preenchido.

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