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Prêmios e abacaxis
A vitória do republicano Arnold Schwarzenegger nas eleições para governador da Califórnia pode ser um grande prêmio ou um grande abacaxi para o presidente republicano George W. Bush. A Califórnia por tradição sinaliza tendências políticas, econômicas e culturais. Em termos telegráficos basta lembrar o ator-governador-presidente Ronald Reagan. O peso do estado é indiscutível. Com seus 36 milhões de habitantes é equivalente a uma Argentina. Na condição de quinta ou sexta economia mundial, é do porte de uma França. No mapa eleitoral nacional, a Califórnia significa a corrida ao ouro, pois representa 20% dos votos do Colégio Eleitoral necessários para a conquista da Casa Branca. Olho gordo À primeira vista, o sonho republicano se concretiza. Os assessores políticos de Bush sempre colocaram olho gordo num dos estados mais alinhados com os democratas (pelo menos até terça-feira à noite). Em uma interpretação inicial, a caminho das eleições presidenciais de 2004, os democratas levaram um potente golpe político e psicológico com o triunfo do republicano Schwarzennegger. Prêmio concedido, vamos aos abacaxis. Bush nunca quis uma associação unha e carne com o ator de Hollywood prestes a trocar de emprego. Claro que no dia da eleição ele disse que estava preparado para trabalhar com Schwarzenegger caso ele fosse vitorioso. Ossos do ofício presidencial. Tal disposição valeria para Larry Flynt ou o lutador de sumô que estavam entre os 135 candidatos para o lugar do governador democrata Gray Davis. O prazer da associação com Schwarzenegger é duvidoso para um presidente tão preocupado em zelar por sua base conservadora, discurso de moral e bons costumes e a promessa de restaurar a integridade no Salão Oval da Casa Branca após a era Clinton. Schwarzenegger foi à luta eleitoral com uma agenda moderada em questões sociais, como o aborto. Ademais, esteve envolto na reta final da campanha em controvérsias sobre assédio sexual em massa de mulheres nos últimos 25 anos. Na piada inevitável, Schwarzenegger é um Clinton republicano e com sotaque alemão. Sem experiência Outra razão de desconforto para Bush é o fato de que Schwarzenegger é um político inexperiente que herda uma carga pesada de problemas na Califórnia, a começar pela mais grave crise fiscal já enfrentada por um estado americano. Esta crise foi o estopim para a proposta de "recall", ou a destituição do governador Davis. Se Schwarzenegger fracassar, o sonho republicano de ter a Califórnia como reforço eleitoral pode se converter em um pesadelo. Nos últimos dias, em antecipação à derrota da terça-feira, os democratas passaram a disparar uma mensagem marota. Schwarzenegger reflete uma insatisfação popular com o status quo. Bush, portanto, que se cuide. Na terça-feira à noite, o recado foi reiterado por pré-candidatos presidenciais como Howard Dean, que talvez seja o grande símbolo deste sentimento de frustração. Nos seus comícios, Gray Davis lembrava que o argumento para destituir um político devido à sua incapacidade para lidar com o rombo fiscal valia não apenas para ele, mas para 47 dos 50 governadores e o presidente. O que é ficção e o que é realidade neste raciocínio dos democratas talvez seja missão para o ex-ator Arnold Schwarzenegger destrinchar. |
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