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Atualizado às: 07 de outubro, 2003 - 21h43 GMT (18h43 Brasília)
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Especialista discorda de avaliação do Banco Mundial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
O Fome Zero de Lula deve ser analisado com cautela, segundo Néri

O economista Marcelo Néri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), discorda da avaliação do Banco Mundial (Bird) de que a desigualdade diminuiu no Brasil nos anos 90.

"Houve um aumento da importância do Estado na renda das pessoas na última década, mas não está claro que a desigualdade diminuiu", afirma Néri.

O aumento da distribuição de renda para a camada mais pobre da população, segundo ele, aconteceu com a entrada em vigor de novas lei, como o aumento das aposentadorias rurais, cujo valor total foi multiplicado por seis entre 1992 e 1996, e o pagamento de aposentadorias para idosos com mais de 67 anos e deficientes.

"São mudanças mais ligadas à Constitutição do que ao governo Fernando Henrique Cardoso", explica.

Projeto Alvorada

Os benefícios criados pelo ex-presidente, abarcados no Projeto Alvorada – que inclui o Bolsa-Escola e o vale-gás, por exemplo – foram colocados em prática em 2000 e só passaram a funcionar plenamente em 2002.

Por isso, ainda não são medidos nas estatísticas de 2001, utilizadas no estudo do Banco Mundial.

Para Néri, o que houve nos anos 90 foi um crise na área do trabalho, com o aumento do desemprego que resultou na redução da renda do trabalhador, ao mesmo tempo em que as ações do governo foram mais concentradas nas áreas rurais e nos grotões de miséria.

Ele acha que, neste sentido, houve uma pequena mudança na distribuição de renda entre áreas rurais e urbanas.

"As vítimas do desemprego são metropolitanas, enquanto as beneficiárias dos programas sociais são principalmente da área rural", afirma.

Os programas do tipo Bolsa-Escola, elogiados pelo Banco Mundial, também são considerados positivos por Néri.

"O Bolsa-Escola é uma política de subsídio à educação. É bem focado, ataca rapidamente o problema", avalia.

"O Brasil deveria agora investir maciçamente em educação, da mesma maneira que nos anos 70 investiu na industrialização. Esta deve ser a prioridade agora", afirma o economista Francisco Ferreira, do Banco Mundial.

Néri também acha que a unificação dos programas sociais deve organizar os projetos dispersos, mas diz que é um risco pensar que o Fome Zero, do governo Lula, vai resolver todos os problemas.

"O Brasil precisa de políticas de transferência de renda, mas não se pode criar uma expectativa muito alta e acha que isso vai resolver todos os problemas", afirma.

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