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Especialista discorda de avaliação do Banco Mundial
O economista Marcelo Néri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), discorda da avaliação do Banco Mundial (Bird) de que a desigualdade diminuiu no Brasil nos anos 90. "Houve um aumento da importância do Estado na renda das pessoas na última década, mas não está claro que a desigualdade diminuiu", afirma Néri. O aumento da distribuição de renda para a camada mais pobre da população, segundo ele, aconteceu com a entrada em vigor de novas lei, como o aumento das aposentadorias rurais, cujo valor total foi multiplicado por seis entre 1992 e 1996, e o pagamento de aposentadorias para idosos com mais de 67 anos e deficientes. "São mudanças mais ligadas à Constitutição do que ao governo Fernando Henrique Cardoso", explica. Projeto Alvorada Os benefícios criados pelo ex-presidente, abarcados no Projeto Alvorada – que inclui o Bolsa-Escola e o vale-gás, por exemplo – foram colocados em prática em 2000 e só passaram a funcionar plenamente em 2002. Por isso, ainda não são medidos nas estatísticas de 2001, utilizadas no estudo do Banco Mundial. Para Néri, o que houve nos anos 90 foi um crise na área do trabalho, com o aumento do desemprego que resultou na redução da renda do trabalhador, ao mesmo tempo em que as ações do governo foram mais concentradas nas áreas rurais e nos grotões de miséria. Ele acha que, neste sentido, houve uma pequena mudança na distribuição de renda entre áreas rurais e urbanas. "As vítimas do desemprego são metropolitanas, enquanto as beneficiárias dos programas sociais são principalmente da área rural", afirma. Os programas do tipo Bolsa-Escola, elogiados pelo Banco Mundial, também são considerados positivos por Néri. "O Bolsa-Escola é uma política de subsídio à educação. É bem focado, ataca rapidamente o problema", avalia. "O Brasil deveria agora investir maciçamente em educação, da mesma maneira que nos anos 70 investiu na industrialização. Esta deve ser a prioridade agora", afirma o economista Francisco Ferreira, do Banco Mundial. Néri também acha que a unificação dos programas sociais deve organizar os projetos dispersos, mas diz que é um risco pensar que o Fome Zero, do governo Lula, vai resolver todos os problemas. "O Brasil precisa de políticas de transferência de renda, mas não se pode criar uma expectativa muito alta e acha que isso vai resolver todos os problemas", afirma. |
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