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Avanços no Afeganistão se limitam a Cabul
Dois anos depois da invasão americana no Afeganistão, apenas Cabul e algumas cidades se beneficiaram dos progressos trazidos pela queda do Talebã, segundo agências humanitárias que atuam no país. A diretora do Fundo de Alimentação da ONU (FAO), Susana Rico, admite que pelo menos um terço do país não é coberto pela distribuição de comida feita pela organização. "É um problema não termos uma presença total. É possível que haja áreas com necessidades e que nós não fiquemos sabendo", diz Rico. A preocupação da FAO e de organizações não-governamentais que atuam no país é a mesma: a falta de segurança nas províncias ao sul de Cabul. Cabul É nessa região que se concentram os combates entre forças da coalizão militar liderada pelos Estados Unidos e militantes que resistem ao governo interino e à ocupação internacional – principalmente remanescentes do Talebã e membros da rede extremista Al-Qaeda. Em Cabul, no entanto, onde as agências atuam plenamente e a população é protegida pelas forças de paz da Otan (aliança militar liderada pelos Estados Unidos), o número de pessoas precisando de assistência alimentar diminuiu, segundo a FAO, e a economia começa a voltar aos trilhos. “Há cada vez mais internet cafés, restaurantes, as lojas oferecem uma variedade cada vez maior de produtos, hotéis estão sendo remobiliados”, conta John James, que tem planos de abrir um dos dois primeiros bancos privados do país até o fim do ano. James afirma que só recebe sinais de encorajamento das autoridades em Cabul, mas diz não ter planos de expandir negócios além das fronteiras da capital. No entanto, as agências humanitárias não têm liberdade total de movimento mesmo nas áreas onde atuam, precisando ser acompanhadas por escoltas militares em determinadas missões. "Sempre reportamos nossos movimentos por rádio ao escritório da Cruz Vermelha", diz Kvaam Helger, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que restringiu as suas operações desde que um de seus funcionários foi morto em um ataque perto de Kandahar. Lentidão O vice-embaixador do Afeganistão na Grã-Bretanha, Abdul Wahab, reconhece que o processo de estabilização está sendo mais lento do que se esperava. Segundo Wahab, as principais dificuldades seriam o fato de as forças de paz da Otan estarem limitadas a Cabul e a constante entrada de militantes pela fronteira com o Paquistão. O diplomata, no entanto, cita o maior acesso à educação como uma das conquistas dos últimos dois anos. De fato, segundo dados do Unicef, quatro milhões de crianças estão hoje matriculadas em escolas, número recorde no país. Desse total, 1,2 milhões são meninas, o que significa que a proporção de meninas para meninos estudando voltou aos níveis em estavam antes do Talebã, que proibia a educação de mulheres. Mas Lara Grifith, autora de um recente relatório da Anistia Internacional sobre a situação das mulheres no Afeganistão, questiona o significado dessa melhora sem a garantia de liberdades mais amplas às mulheres. O argumento de Grifith é de pouco adianta uma menina começar a estudar se aos 12 anos for forçada a se casar com um homem escolhido por seus parentes. Segundo ela, os direitos garantidos na nova Constituição afegã não se traduzem em ações na prática. “As condenações por estupro são raras e não há registro de condenação por casamento forçado”, afirma. No relatório de Grifith, a Anistia pede que as autoridades locais forneçam mais assistência legal às mulheres vítimas de abuso. Wahab reconhece que ainda há muito a avançar para que as mulheres tenham um tratamento igualitário no Afeganistão, mas argumenta que, ainda assim, a situação é muito melhor do que era nos tempos do Talebã. |
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