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EUA devem reprimir 'ações ilegais' de Israel, diz ministra síria
O governo da Síria pediu uma resolução de emergência do Conselho de Segurança da ONU nesta segunda-feira para discutir o ataque realizado por Israel no território sírio no domingo. Mas a Síria e os países da Liga Árabe já dão como certo o fato de que a resolução deve receber o veto do governo americano – ainda que, segundo eles, isto custe aos americanos um aumento ainda maior de sua impopularidade no Oriente Médio. Mas a ministra dos Refugiados da Síria, Bouthaina Shaaban, diz que os Estados Unidos não devem vetar a resolução. "Os EUA devem coibir Israel de realizar atos agressivos. É ruim para os EUA apoiar Israel em atos ilegais, atos que vão contra todas resoluções internacionais", diz Shaaban. "A comunidade internacional deve adotar uma posição firme contra a política de (o primeiro-ministro de Israel Ariel) Sharon de morte e destruição, porque ela terá conseqüências perigosas para o mundo", acrescenta. A língua de Cristo Segundo a ministra, os EUA poderiam coibir Israel de tomar tais atos agressivos. "Não acho que seja bom para os EUA apoiar Israel em atos que vão contra quaisquer convenções internacionais", afirma. A ministra Shaaban diz que não há militantes armados em território síro. De acordo com ela, os 500 mil militantes palestinos presentes na Síria são "pessoas desesperadas, vivendo em condições miseráveis causadas por Israel". Segundo Bouthiana Shaaban, o ataque israelense aconteceu contra uma região que só possui ruínas arqueológicas e uma população de maioria cristã. "A única no mundo que ainda fala aramaico, a língua de Cristo", afirma. O embaixador da Liga Árabe em Londres, Ali Muhsen Hamid, diz que um veto americano à resolução síria já é esperado. "É um ano eleitoral para os EUA. O veto agradaria ao eleitorado judeu americano. Pelos pronunciamentos do embaixador (americano na ONU, John) Negroponte, vemos que ele está falando a mesma língua que os israelenses", comenta. Mas Hamid acredita que negociações podem permitir que se chegue a um meio-termo, uma condenação parcial a Israel. "É o que esperamos. Mas a Síria foi vítima de uma agressão. Toda a comunidade internacional deve condenar Israel e exigir que ela não repita mais esse tipo de ação." Imagem dos EUA Segundo o embaixador um veto americano não pode prejudicar a imagem americana junto aos países árabes "porque a imagem americana já está arruinada". "Os Estados Unidos financiam a construção de assentamentos judeus em terras árabes, não pressionam Israel para se retirar dos territórios ocupados, apóiam atos de destruição e assassinatos realizados por Israel. Não temos plena confiança nos americanos, mas não temos alternativas", diz o embaixador. Hamid afirma que o argumento usado por Israel para o ataque não é válido. "O Jihad Islâmico tem escritórios em vários países árabes. Pela lógica israelense, haveria, portanto, vários candidatos a um ataque." De acordo com George Jabbour, membro do Parlamento sírio e ex-consultor do governo de seu país, o ataque israelense pode ter recebido um "sinal verde" dos Estados Unidos. "Suponho que foi o que aconteceu. Mas se as medidas de Israel não estão sendo aprovadas de antemão, então é porque as ações israelenses é que estão ditando a política internacional americana", afirma. Segundo Jabbour, os EUA enfrentam um impasse diplomático, já que há poucas semanas vetaram uma resolução condenando a proposta israelense de expulsar o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, do território palestino. "Se os Estados Unidos vetarem a resolução da Síria, se arriscam a enfrentar o isolamento internacional, algo que não é bom ainda mais em tempos de ocupação iraquiana. Não faz sentido seguir a política internacional de um Estado errático que não respeita a lei internacional", afirma. |
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