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Atualizado às: 03 de outubro, 2003 - 18h53 GMT (15h53 Brasília)
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Para analistas, eleições não mudam situação da Chechênia

O candidato Akhmad Kadyrov
O candidato Akhmad Kadyrov é tido como único concorrente

Os chechenos vão às urnas neste domingo para escolher seu novo presidente, mas, segundo especialistas, a população sente que nada realmente vai mudar no país.

De acordo com esses especialistas, a Rússia vai continuar dominando a Chechênia.

A Rússia ocupou a Chechênia em 1994 e voltou em 1999, para reprimir o movimento separatista do país.

O favorito para este domingo é Akhmad Kadyrov, que era uma espécie de governador da Chechênia e se afastou do cargo para poder concorrer.

Ele é o candidato preferido da Rússia e deve ter pouco mais de 60% dos votos.

Outros concorrentes de peso desistiram da disputa, por motivos variados: desde acusações de fraude até candidatura a outros cargos.

Fraude

O líder rebelde checheno, Aslan Maskhadov, classificou as eleições como ilegítimas. Ele disse que vai continuar lutando para que as tropas russas deixem o país.

Muitos observadores estão preocupados com a ocorrência de fraude, mas para o analista Anatoli Sosnovski, que está em Moscou, essa possibilidade não existe.

"Não pode haver fraude quando não há eleições. Existe de fato um só candidato forte. Não existe competição. Então não vejo razão para que haja fraude", disse.

Para ele, as eleições são apenas uma formalidade e não refletem o que realmente se passa na Chechênia atualmente. Sosnovski afirma que nada vai mudar.

"O governo federal precisa muito de uma espécie de superfície democrática no processo político na Chechênia. E precisa garantir que na Presidência esteja uma figura que considere mais ou menos aceitável", afirmou.

Para aumentar o clima de tensão, o prefeito de Shali, no sul da Chechênia, foi assassinado na quinta-feira e, no domingo, o primeiro-ministro foi levado para o hospital sob suspeita de envenenamento, embora nada tenha sido provado até agora.

Medo e desespero

A diretora da organização de direitos humanos Humans Right Watch em Moscou, Anna Niystad, também diz que as eleições são apenas uma formalidade.

"Não vai mudar nada e muitas pessoas que a Human Rights Watch ouviu dizem que ainda vai ficar pior, porque a interferência da Rússia vai aumentar", disse.

Anna afirma que a população não está entusiasmada com as eleições deste domingo. Ela usa duas palavras para descrever o estado de espírito dos chechenos: medo e desespero.

"Muitas pessoas acreditam que não têm opção. Conheço pessoas que estavam esperançosas quando havia outros competidores na disputa, porque Kadyrov é muito impopular na Chechênia."

"Mas agora que ele está praticamente sozinho, muitas pessoas ou não querem votar ou acreditam que isso não vai trazer qualquer mudança para suas vidas."

Kadyrov foi líder religioso e um dos comandantes da guerrilha. Esse fato, segundo Sosnovski e Anna, faz com que a população tenha medo de sofrer represálias caso se abstenha de ir às urnas no domingo.

"O candidato forte para a Presidência da Chechênia tem vários recursos para fazer a população comparecer. A administração local, nas aldeias, nas pequenas cidades, foi nomeada por Kadyrov. Então, claro que na pequena cidade ou na aldeia, onde todo mundo conhece os vizinhos, não comparecer seria uma espécie de manifestação contra. Não acho que isso seria muito comum na Chechênia", disse Sosnovski.

"Sabemos que a milícia de Kadyrov, que tem alguns milhares de homens, está muito ativa neste período. E acho que pode ser usada durante as eleições", afirmou Anna, ressalvando que não tem provas para documentar sua afirmação.

Violência

Sosnovski afirma que há o risco de uma explosão de violência. Ele diz que a guerrilha não quer a realização de eleições. Segundo o pesquisador, a república vive uma situação de guerrilha e possivelmente de guerra civil.

As tropas federais que estão na Chechênia estão em estado de alerta, assim como a polícia.

Sosnovski disse que o governo federal vai fazer de tudo para não deixar a guerrilha mostrar sua força. E Anna diz que, mesmo que isso aconteça, a Rússia não vai deixar que a informação seja divulgada.

O pesquisador afirma que Kadyrov faz campanha tentando mostrar que controla a situação, e que apesar de receber apoio financeiro do Kremlin, não é apenas um instrumento nas mãos da Rússia.

Mas Sosnovski faz uma ressalva: a sociedade chechena é tribal, não é estruturada segundo padrões europeus e, por isso, não pode ser avaliada pelas normas do jogo democrático ocidental.

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