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Escola no Paquistão é chamada de 'universidade da jihad'
Seus alunos e seu reitor a chamam de “universidade da jihad”. E, na semana passada, a faculdade religiosa de Darul Uloom Haqqania, na província da Fronteira Noroeste do Paquistão, formou outra turma de jovens paquistaneses e afegãos prontos para travar uma guerra religiosa contra os inimigos de sua religião, o islamismo. Entre eles estava um fugitivo afegão de 15 anos, Javed Ullah. "Quero lutar contra os infiéis", disse ele ao deixar o seminário, em Akora Khattak, 50 km a leste da capital da província, em Peshawar. Futuro melhor Javed faz parte do grupo de 600 estudantes que completou seus estudos em diferentes áreas, no ano passado. Usando turbantes brancos e túnicas, todos os formandos pareciam satisfeitos e cheios de esperança num futuro melhor. "Quero voltar e combater os americanos. Não posso mais esperar", disse Javed. Seus colegas paquistaneses têm um desejo semelhante.
"Dedicarei minha vida inteira à jihad. É obrigatório para muçulmanos. Eu matarei inimigos do Islã", disse outro estudante, Minhaj Uddin. A cerimônia de formatura foi repleta de slogans de apoio ao Talebã (milícia que controlava o Afeganistão antes da ofensiva liderada pelos Estados Unidos no país, em 2001), ao líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, e à guerra santa. Em alguns dos cartazes que adornam as paredes da faculdade figuram desenhos de rifles Kalashnikov e tanques. Em seus discursos, professores e acadêmicos religiosos fizeram um apelo aos alunos para que coloquem a defesa da fé antes de qualquer outra coisa. Guardiões "Sendo guardiões de sua religião, vocês são naturalmente os primeiros alvos de seus inimigos", disse Maulana Sami Ul-Haq, o diretor da faculdade. No passado, alguns integrantes do regime do Talebã, eles próprios formados pela instituição, compareceram a essas formaturas. Mensagens para o líder do movimento, Mulá Mohammad Omar, foram lidas na cerimônia. O apoio da escola ao Talebã nunca foi um segredo. O diretor enviou um grupo de 2 mil estudantes afegãos de volta a sua terra natal para ajudar o antigo regime na luta contra contra a Aliança do Norte, um grupo de oposição. Seu conselho aos estudantes paquistaneses e afegãos é que eles travem uma guerra santa até que "a força do mal" seja derrotada. "No passado, apenas conspirações eram planejadas para acabar com o Islã, mas agora o inimigo está no campo de batalha, nos desafiando", disse Sami. "O Islã, acadêmicos muçulmanos e estudantes religiosos nunca estiveram sob tamanha ameaça." Moderados Tais mensagens que emanam do seminário fazem soar um alarme em países ocidentais e em grupos moderados no Paquistão. O governo do presidente Pervez Musharraf quer promover o liberalismo, mas está encontrando dificuldades para mudar as coisas na velocidade com que a comunidade internacional deseja. A província da Fronteira Noroeste do Paquistão tem muitas áreas dominadas por tribos que, historicamente, são governadas por seus próprios líderes e têm suas próprias leis.
A província é habitada majoritariamente por membros da etnia patã, que também controlava o Talebã. A região sempre foi afetada diretamente por eventos que ocorrem ao longo da extensa e porosa fronteira com o Afeganistão. Alguns observadores dizem que os efeitos negativos de mais de duas décadas de guerra – extremismo religioso e comércio de drogas e de armas – não podem ser eliminados rapidamente. Certamente, os esforços do governo para mudar o currículo de escolas religiosas deixaram de causar impacto até agora. Enquanto tais esforços continuam a ocorrer, novos grupos de voluntários prontos para confrontar o que eles vêem como inimigos de sua fé continuam a ser formados pelo seminário. |
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