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Atualizado às: 06 de outubro, 2003 - 14h28 GMT (11h28 Brasília)
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Surgem suspeitas de favorecimento aos EUA

iraquianos em mercado de rua
É forte o nacionalismo entre os iraquianos

Os primeiros contratos para reconstrução do Iraque foram repassados sem concorrência pelo governo americano para empresas também americanas - como a Halliburton, que já teve o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, como seu presidente.

Atualmente, está em andamento a licitação para licenças de telefonia móvel, e os editais incluíram exigências que, segundo os críticos, tenderão a favorecer empresas americanas.

Na semana passada, surgiu uma consultoria, a New Bridges Strategies, formada por ex-integrantes do governo americano, só para assessorar empresas na obtenção de contratos de reconstrução e privatizações no Iraque.

Essa combinação está provocando acusações de que os EUA estão criando um "crony capitalism" (uma espécie de capitalismo entre amigos) no Iraque. Isso reforça as suspeitas de que a privatização no Iraque pode ser desenhada para beneficiar empresas americanas, segundo analistas.

Suspeita

"Nesse momento, parece que as empresas mais importantes do Iraque vão passar para empresas americanas", prevê Michael Cox, professor da London School of Economics (LSE).

O professor argumenta que as empresas americanas são as maiores do mundo em diversos setores e, por isso, têm as vantagens econômicas.

"Elas têm também agora a vantagem adicional que os EUA são o maior poder a ocupar o Iraque", diz ele, prevendo que o mais provável será que os contratos de privatização tendam a ser desenhados para favorecer empresas americanas.

"Se formos honestos sobre isso, será muito pouco provável que o governo americano favoreça uma empresa francesa agora, por exemplo", acrescenta.

Celulares

A administração do Iraque preparou a concorrência para a instalação de empresas de telefonia celular no Iraque, uma licença avaliada em US$ 200 milhões (cerca de R$ 600 milhões).

As projeções indicam que dentro de poucos anos essas empresas terão pelo menos 2 milhões de usuários.

Nas regras da concorrência, a administração do Iraque estabeleceu que as empresas que quisessem participar teriam que ter redes de celulares em funcionamento em outros países e não poderiam ter a participação do Estado em seu capital.

Com essas regras, ficam excluídas as empresas de telecomunicações do Oriente Médio, de países como a Alemanha, por exemplo - o governo alemão detém mais de 35% das ações da T-Mobile e empresas locais.

"As regras para licitação da Autoridade da Coalizão prejudicam empresas iraquianas", diz o economista iraquiano Basil Al-Nakeeb.

Sinal

A opção pode ser mais eficiente do ponto de vista econômico, na avaliação das autoridades no comando do Iraque. Mas, segundo Fox, vai mandar um sinal político negativo.

"Os iraquianos vão olhar com certa suspeita se empresas americanas ficarem com os contratos mais importantes em diversas áreas", diz o professor.

Mas alguns analistas defendem o direito de o governo americano favorecer empresas dos EUA, pelo menos durante o primeiro momento da reconstrução do Iraque.

"Talvez o processo inicial tenha sido desenhado para beneficiar empresas americanas. No entanto, era o governo americano que estava pagando a conta da reconstrução, por que não deveria favorecer empresas americanas?", argumenta Geoffrey Segal, diretor de Privatização e Políticas de Reforma de Governo do Reason Public Policy Institute.

Novo perfil

Na medida em que a Organização das Nações Unidas (ONU) e outros países tenham um papel maior na administração do Iraque, é provável que esse perfil venha a mudar, segundo analistas.

Segundo Segal, com essa ampliação, haverá um ambiente mais equilibrado do ponto de vista da concorrência.

"Se os EUA estão procurando internacionalizar a administração do Iraque, trazendo a comunidade internacional para administrar o país, para legitimar politicamente sua posição lá, vão ter que repartir os benefícios econômicos", prevê Fox.

Dessa forma, segundo Segal, o povo iraquiano poderá ter mais benefícios, recebendo um valor maior pelos ativos que estão sendo privatizados e também oferta ampla de diferentes serviços.

"Se uma empresa francesa tem alguma capacidade e experiência maior e está disposta a pagar mais do que uma empresa americana ou britânica, sim, a empresa francesa deveria ganhar o contrato", diz Segal.

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