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Atualizado às: 30 de setembro, 2003 - 03h03 GMT (00h03 Brasília)
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Putin é criticado por atraso em relação a Kyoto
Fábrica
Muitas das fábricas russas foram fechadas desde o colapso do comunismo

O presidente russo, Vladimir Putin, está enfrentando sendo criticado internacionalmente por se recusar a estabelecer um cronograma para a ratificação do Protocolo de Kyoto sobre mudanças climáticas.

Na abertura de uma conferência internacional sobre o assunto em Moscou, Putin disse que o seu governo ainda está estudando as vantagens e desvantagens da ratificação.

A aceitação da Rússia é vital para que o acordo firmado em 1997 adquira a força de uma lei internacional, depois que os Estados Unidos abandonaram o projeto há dois anos.

Putin tem sido pressionado a usar a conferência para confirmar a ratificação da Rússia, e os comentários feitos por ele agora causam protestos por parte da ONU (Organização das Nações Unidas), União Européia e ambientalistas.

O ministro do Meio Ambiente da Noruega, Boerge Brende, disse que Putin havia prometido, há um ano, que a Rússia iria ratificar o acordo "logo".

"Sem a Rússia, em um momento em que os Estados Unidos e a Austrália estão fora, não haverá Protocolo de Kyoto. E as mudanças climáticas estão ocorrendo", disse Brende.

'Pressão'

Para que o protocolo entre em vigor, 55% dos países – representando igual porcentagem de emissão de gases poluentes em todo o mundo – devem assinar o documento.

Com os Estados Unidos se recusando a participar, todos as outras principais potências industriais devem ratificar para que a quota seja alcançada.

Enquanto isso, o repórter da BBC especialista em Meio Ambiente, Tim Hirsch, disse que um funcionário do governo americano negou veementemente que o país tenha colocado pressão para que a Rússia fique de fora do acordo.

Alguns integrantes de governos europeus afirmam que os Estados Unidos vêm discretamente tentando fazer com que a Rússia não ratifique.

Mas o negociador americano sobre o assunto, Harlan watson, disse que o presidente George W. Bush havia prometido não influenciar nenhum país sobre a decisão de aderir ou não ao Protocolo de kyoto.

'Enchentes'

O grupo de defesa do meio ambiente Greenpeace afirmou que "A posição (de Putin) pode colocar em risco todo o processo".

Vladimir Putin
Putin tem feito comentários ambíguos

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, apelou para que a Rússia aceite o acordo.

"Eu me junto às pessoas ao redor do mundo que estão esperando ansiosamente pela ratificação da Rússia, o que permitirá que o Protocolo entre em vigor e incentivará uma ação global", disse Annan em uma mensagem aos participantes da conferência.

A União Européia, que planeja reduzir a emissão de gases das suas indústrias a partir de 2005, também reiterou o pedido para que a Rússia ratifique o acordo.

Mas Putin foi ambíguo em relação a sua opinião sobre Kyoto.

"(Os críticos do pacto) costumam dizer, um pouco brincando e um pouco seriamente, que a Rússia é um país do hemisfério norte, e que se a temperatura aumentar em um ou dois graus Celsius não será tão ruim – nós poderíamos gastar menos em casacos, e especialistas em agricultura afirmam que a colheita iria aumentar ainda mais", disse o presidente russo durante a conferência.

"Isso pode acontecer realmente, mas... nós também devemos pensar nas consequências que teremos em outras regiões, onde haverá secas e enchentes", completou.

Surpresos

Correspondentes da BBC afirmam que os observadores internacionais estão surpresos com a atitude da Rússia e não conseguem entender porque o país poderia ter algum problema com o acordo, uma vez que conseguiu se sair bem com ele.

A meta para a Rússia, para o período de 2008-2012 é manter as emissões de dióxido de carbono a outros gases ligados às mudanças climáticas no mesmo nível de 1990, comparado com uma média de pouco mais de 5% para o mundo industrializado como um todo.

Mas uma vez que 1990 coincidiu com o colapso da indústria subsidiada pelo Estado, as emissões de gases já são mais baixas do que costumavam ser – não porque as fábricas esão mais limpas, mas simplesmente porque há menos fábricas.

De acordo com o Protocolo de Kyoto, isso deixa a Rússia com quotas "extras" de poluição, as quais pode vender para outros países, ajudando-os a cumprir as próprias metas.

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