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Atualizado às: 29 de setembro, 2003 - 18h11 GMT (15h11 Brasília)
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Rússia usa protocolo como barganha, dizem analistas

Protocolo estabelece que países reduzam emissões de gases poluentes
Protocolo estabelece que países reduzam emissões de gases poluentes

A Rússia está usando a sua posição de força no Protocolo de Kyoto para assegurar participação no potencial mercado de venda de emissões de poluentes, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil.

"Eles querem se assegurar de que existe uma demanda por esses créditos e, por isso, têm negociado com o Japão, o Canadá e países europeus", afirma Pedro Moura Costa, diretor-presidente da Eco Securities, consultoria especializada em comércio de emissões.

Ciente de que, sem a sua adesão, o Protocolo de Kyoto não passa de voluntarismo internacional, o governo russo estaria tentando obter o máximo de vantagens em troca da ratificação do documento, que prevê que os países reduzam em 5% as suas emissões de poluentes em relação aos níveis de 1990.

"Eles estão usando isso como uma barganha para decidir quando ratificar", afirma Costa.

Ratificado

Embora tenha sido assinado há seis anos, o documento só entrará em vigor quando for ratificado por países responsáveis por 55% das emissões de poluentes na atmosfera.

Com o abandono dos Estados Unidos do protocolo, há dois anos, a Rússia - com 17% das emissões mundiais - é o único país que, sozinho, pode fazer o documento alcançar o patamar necessário para virar lei internacional.

Como os níveis de poluição russa caíram muito desde o colapso da União Sovética (1991), o país tem créditos em relação aos níveis de redução de emissões estipulados pelo protocolo.

De acordo com mecanismos de compensação previstos no protocolo, esses créditos poderiam ser vendidos a países mais ricos que, sem querer cortar as suas próprias emissões, poderiam comprar quotas de terceiros que poluam menos.

À época da assinatura do documento, a maior expectativa da Rússia era que os Estados Unidos, os maiores poluidores do mundo, comprassem as suas quotas. Com a retirada americana do protocolo, Moscou estaria tentando garantir negócios semelhantes com outros países industrializados.

"A saída dos Estados Unidos reduziu a demanda por reduções de emissões e isso influenciou a decisão da Rússia", afirma Costa.

Vantagens

Vladimir Zakharov, do Centro para Políticas Ambientais da Rússia, concorda que a hesitação do governo russo em ratificar o documento faz parte de uma estratégia para assegurar vantagens para o país, mas não acha que o objetivo seja garantir a venda de quotas de poluição para outros países.

Para Zakharov, não está claro o que Putin pretende com esse adiamento, já que, segundo o especialista, o presidente aceita o argumento de que o aquecimento global é causado pela emissão de gases poluentes e outras ações humanas.

"Não há mais espaço para questionar essa teoria. Só cientistas com interesses na indústria dizem o contrário", afirma o botanicista Ghillean Prance.

Zakharov diz ainda que o presidente russo esconde os fatos quando diz que até seria bom para um país frio como a Rússia que o país esquentasse alguns graus.

"Gastaríamos menos dinheiro com casacos", chegou a dizer Putin.

Zakharov, no entanto, diz que a Rússia já está sofrendo os efeitos do aquecimento global: o solo estaria mais árido para a agricultura e doenças novas estariam surgindo na Sibéria.

São esses e outros argumentos que o cientista e seus colegas apresentarão em Moscou no Fórum Social sobre Mudança Climática, evento que faz parte da conferência.

Brasil

Seja qual for a razão da Rússia para adiar a ratificação do protocolo de Kyoto, uma decisão nesse sentido seria extremamente favorável para o Brasil, que seria um dos maiores beneficiários dos mecanismos de desenvolvimento limpo previstos no documento.

"O protocolo daria início a um novo mercado (de transação de emissões), no qual o Brasil está muito bem posicionado. Há uma série de projetos prontos para vender seus créditos, que só estão esperando a entrada do protocolo em vigor", afirma Pedro de Moura Costa.

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