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Jornais europeus cobram liderança da UE em negociações da OMC
O fracasso das negociações na reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), na cidade mexicana de Cancún, continua sendo tema de editoriais e análises nos principais jornais europeus. O britânico Financial Times diz em editorial que é necessário liderança para reavivar as conversações e que essa liderança deve vir da União Européia. "A União Européia empenhou-se na defesa de instituições multilaterais como as Nações Unidas e o acordo de Kyoto sobre aquecimento global. Agora, com uma crise na OMC, a instituição multilateral no coração da economia global, Bruxelas, tem que assumir a liderança", diz o FT. O Financial Times publica ainda artigo sobre a posição do Brasil nas conversações de Cancún, dizendo que a delegação brasileira pode ter sido uma das poucas a deixar o encontro com alguma sensação de avanço. Progresso O jornal diz que o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse que houve algum progresso ao se forjar bases comuns para um esboço de proposta para a redução de subsídios agrícolas. Mas pode-se esperar um endurecimento da posição americana depois do ocorrido em Cancún. O Financial Times diz que "o fracasso (nas negociações) provavelmente vai piorar as já tensas relações comerciais entre os Estados Unidos e o Brasil, menos de três meses antes de uma reunião ministerial em Miami que deveria fazer progresso significativo em forjar um acordo de livre comércio regional até 2005". O jornal francês Liberation diz que muito da culpa pelo fracasso da reunião em Cancún pode ser colocada sobre a União Européia. A União Européia e os Estados Unidos "têm que decidir de uma vez por todas se estão dispostos a aceitar as regras do jogo do livre comércio formuladas por eles mesmos, mas que eles tranquilamente violam", diz o jornal. Equilíbrio de poder O Liberation afirma ainda que vê com bons olhos a idéia de que o equilíbrio de poder entre os dois gigantes comerciais de um lado e o resto do mundo do outro também parece ter mudado. Um comentário no Frankfurter Allgemeine Zeitung, da Alemanha, discorda ao advertir ativistas europeus que comemoraram o fracasso das conversações como uma vitória para os países em desenvolvimento. "É de fato uma vitória para os países em desenvolvimento quando as barreiras no comércio de produtos agrícolas deixam de ser derrubadas e a OMC é afetada?", pergunta o jornal alemão. "É uma derrota para os pobres." "Espírito dos anos 60" Nas páginas dedicadas a temas culturais, a performance da viúva de John Lennon, Yoko Ono, em um teatro em Paris é destaque. Yoko Ono reviveu o espetáculo-protesto que apresentou em 1964, em que o público era convidado a recortar um retalho de suas roupas até que ela ficasse nua. O jornal britânico The Guardian diz: "No final, ninguém teve coragem de cortar suas calcinhas. O compromisso de Yoko Ono com a nudez em nome da paz foi substituído por uma modesta exposição de calcinha combinando com sutiã". Segundo o Guardian, "o espírito dos anos 60 estava dolorosamente ausente, e a ocasião foi marcada por um clima de cortesia tímida". A performance durou uma hora e 20 minutos e cerca de 200 pessoas fizeram fila para cortar um retalho da roupa da artista japonesa, hoje com 70 anos de idade. |
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