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Colega diz que Kelly ficou chocado com jornalista
Ao prestar depoimento no inquérito que investiga a morte do especialista em armas britânico, David Kelly, a inspetora de armas e colega do cientista, Olivia Bosch, revelou nesta quinta-feira que Kelly ficou chocado com a forma pela qual o repórter da BBC Andrew Gilligan teria tentado obter informações do cientista sobre o dossiê de armas no Iraque. Kelly aparentemente cometou suicídio, em meados de julho, após ser apontado como a fonte de uma reportagem da BBC sugerindo que o governo britânico havia exagerado sobre o potencial das armas de destruição em massa no Iraque para justificar a posição pró-guerra. Segundo Bosch, que falava com o cientista diariamente durante a guerra no Iraque, o cientista contou a ela que Gilligan insistiu que ele nomeasse os responsáveis pela "transformação" do dossiê. Bosch afirmou ainda que os chefes de Kelly do Ministério da Defesa britânico lhe repreenderam por causa das informações que ele deu à BBC. Segundo ela, o cientista estava com medo de que sua pensão fosse afetada. Motivo de risos Outro amigo de Kelly, o jornalista Tom Mangold, disse ao inquérito que o cientista achou "risível" a informação presente no dossiê de que o Iraque poderia acionar suas armas de destruição em massa em 45 minutos. A primeira fase do inquérito chegou ao fim. O juiz que preside a investigação, lorde Brian Hutton, afirmou que irá analisar as informações obtidas até agora para decidir quais testemunhas irá chamar. O inquérito será reiniciado no próximo dia 15. Hutton disse ainda que ninguém deve tirar conclusões precipitadas se as mesmas testemunhas forem chamadas novamente. A primeira pessoa a aparecer no "jogo de nomes" que Gilligan teria tentado fazer com Kelly, segundo Olivia Bosch, foi o de Alastair Campbell, ex-diretor de comunicações de Tony Blair. Kelly teria dito a Gilligan que, como um servidor público, não confirmaria o nome, apenas diria "talvez". "Delator" Bosch relatou que, quando ela ouviu a reportagem de Gilligan no rádio, ela não acreditou que a fonte era Kelly e sim algum "delator". Bosch, no entanto, afirmou que nunca percebeu a intenção de Kelly de tirar a própria vida. Hutton também ouviu um outro vizinho de Kelly, que relatou não ter percebido nada de anormal no comportamento do cientista dias antes da sua morte. Richard Taylor, conselheiro-especial do ministro da Defesa, Geoff Hoon, também prestou depoimento. Taylor afirmou que ele foi o responsável pela nomeação de Kelly como fonte da reportagem de Gilligan, para um jornalista do diário Financial Times. O conselheiro-especial garantiu que aquela foi a primeira vez que ele apontou um nome de um funcionário público para a imprensa. Segundo Taylor, o Ministério da Defesa resolveu adotar a política porque, se não confirmasse o nome, ele estaria mentindo. Bosch revelou ainda que tanto ela quanto Kelly achavam que o dossiê era um instrumento necessário para informar ao público sobre o que estava ocorrendo no Iraque. Ela disse ainda que a guerra não agradava a Kelly, mas o cientista achava que a intervenção militar era necessária já que Saddam Hussein não estava cooperando. |
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