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Atualizado às: 02 de setembro, 2003 - 18h31 GMT (15h31 Brasília)
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Psiquiatra diz acreditar que David Kelly se suicidou
O cientista David Kelly
O cientista David Kelly aparentemente cometou suicídio

"É quase certo" que David Kelly tenha se suicidado, afirmou nesta terça-feira o psiquiatra Keith Hawton, no inquérito que investiga a morte do cientista britânico.

Especialista em suicídio, Hawton acredita que as dificuldade enfrentadas por Kelly durante a polêmica envolvendo o governo britânico e a BBC tornaram-se "extremamente dolorosas" para o cientista.

Kelly foi apontado como a principal fonte de uma reportagem da BBC, que acusou o governo britânico de ter exagerado informações sobre o poderio militar do Iraque. O dossiê foi apresentado como a maior justificativa do governo britânico para apoiar a guerra no Iraque.

Depois de ser dominado por discussões políticas, nas últimas duas semanas, o inquérito nesta terça-feira ganhou características de uma investigação tradicional. Além de Hawton, a comissão também ouviu a última pessoa a ver David Kelly vivo, antes de o seu corpo ser encontrado,l em 18 de julho: a vizinha da família Ruth Absalom.

E-mails

Hawton mostrou ao inquérito alguns dos e-mails que David Kelly mandou antes de desaparecer no dia 17 de julho. Os e-mails, segundo o médico, explicavam alguns de seus problemas, mas também teriam mostrado algum otimismo.

Em uma mensagem, Kelly escreveu: "Está sendo difícil. Mas tomara que tudo venha à tona até o fim da semana e eu possa voltar a Bagdá para continuar o trabalho de verdade."

Na manhã daquele mesmo dia, um oficial do Ministério da Defesa britânico havia enviado um e-mail a Kelly dizendo que mais questões envolvendo os contatos do cientistas com a mídia precisavam ser respondidas, mas que ainda havia tempo para isso.

Hawton, diretor do Centro para Pesquisas do Suicídio da Universidade de Oxford, disse que "Kelly provavelmente começou a perceber que o problema estava atingindo escalas maiores, as dificuldades estavam se intensificando e as possibildades de uma solução para o caso, desaparecendo."

O psiquiatra sugeriu que Kelly tinha uma personalidade perfeccionista, o que pode ter intensificado a questão.

"A importância dos problemas enfrentados por ele antes da morte afetaram profundamente a sua identidade, a sua auto-estima, a imagem que ele tinha dele mesmo como um cientista valioso e leal", contou o médico.

Analgésico

O psiquiatra afirma acreditar que uma pessoa leiga não poderia prever o que aconteceu.

Em agosto, o inquérito obteve a informação de que Kelly disse a um diplomata britânico, meses antes de sua morte, que ele provavelmente seria "encontrado morto na floresta" se o Iraque fosse invadido.

Hawton, no entanto, afirma que o fato se trata apenas de uma coincidência.

Explicando por que acredita que Kelly tenha cometido suicídio, o médico disse que os ferimentos encontrados no corpo de Kelly eram consistentes com os de alguém que se corta.

Além disso, informou o médico, o cientista havia tomado 30 pílulas do analgésico coproxamol. Segundo Hawton, é muito difícil alguém conseguir dar tanto remédio a uma pessoa sem uma espécie de luta entre o agressor e a vítima.

O inquérito também ouviu Ruth Absalom, uma vizinha de David Kelly que foi a última pessoa a vê-lo. Ela contou que o cientista parecia normal quando saía para a sua última caminhada.

"Ele me disse 'oi'. Eu respondi, 'oi, David, como vão as coisas?' Ele disse 'vão indo'. Conversamos por alguns minutos e me despedi dele. Ele respondeu: 'Vejo você em breve, Ruth'. E se foi", relatou a vizinha.

Corpo

O inquérito ouviu ainda pessoas envolvidas na descoberta do corpo de Kelly. Louise Holmes, parte da equipe de busca, afirmou que havia muito sangue no braço esquerdo do cientista.

Mas David Bartlett, um dos paramédicos que anunciou a morte do cientista, se disse surpreso com a pouca quantidade de sangue já que se tratava de um sangramento arterial.

Entre os itens encontrados na casa de David Kelly estava uma foto do cientista em Moscou, em 1993, com um homem parecido com o repórter Andrew Gilligan, autor da reportagem da BBC sobre as armas do Iraque.

A foto será apresentada à comissão nesta quarta-feira.

O inquérito ouviu também Barney Leith, um integrante da religião Baha'i (de origem iraniana), para a qual David Kelly se converteu em 1999.

Leith afirmou que a fé condena o suicídio, mas 'simpatiza' com pessoas que optam por tirar a própria vida.

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