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Resolução elevaria tropas em até 60 mil homens, diz analista
A nova resolução que os Estados Unidos querem encaminhar ao Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), com o objetivo de aprovar uma maior participação internacional no Iraque, poderia levar a um aumento do número de tropas em até 60 mil no Iraque, de acordo com a análise do cientista político Marco Vicenzino, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, em Washington. "Isso pode melhorar a segurança no Iraque, o que seria muito bom neste momento para o governo Bush", disse Vicenzino em entrevista à BBC Brasil. Hoje, os Estados Unidos contam com 140 mil soldados no Iraque. Pela nova resolução, países como Turquia, Paquistão e Índia enviariam, cada um, entre 10 mil e 20 mil tropas, aumentando consideravelmente a presença militar no país. Mas os analistas, no entanto, divergem quanto à hipótese de uma maior presença de tropas e um trabalho mais conjunto na reconstrução do país levarem à melhora da segurança do Iraque, fazendo com que o governo de George W. Bush fosse menos criticado internamente e internacionalmente em relação à sua política externa. Segurança Segundo o analista, Bush deseja ver a resolução sair do papel por dois motivos: o governo americano precisa incrementar a segurança no Iraque e precisa dividir os custos da reconstrução do país, que hoje são calculados em US$ 100 bilhões. "No fim da guerra, a administração americana não esperava a violência que se instalaria no país. Essa insegurança está impedindo a reconstrução econômica com sabotagens, ataques a poços de petróleo e impedimento que funcionários de empresas viajem ao Iraque, com medo de morrer", diz Vicenzino. Para o cientista político, uma vez que o problema da segurança for resolvido, o trabalho de reconstrução do Iraque ficará mais fácil. "Aí, Bush pode recuperar-se das críticas internas que vem sofrendo da opinião pública e de políticos americanos, que são muito prejudiciais à medida em que a reeleição de 2004 se aproxima", afirma Vicenzino. Credibilidade Já o cientista político Viriato Soromenho Marques, da Universidade de Lisboa, acha que será muito difícil o governo Bush recuperar a credibilidade perdida. "A forma com a qual os Estados Unidos lidaram com a questão do Iraque foi desastrosa. Essa virada na opinião de Bush em relação à presença da ONU no país representa uma erosão da política externa americana que pode ser irreparável", avalia Soromenho Marques. O cientista político acha que, desde que tomou o poder em 2000, o governo Bush não viveu em um momento tão frágil. "Além da questão iraquiana, Bush ainda não conseguiu realizar uma das suas principais promessas relacionadas à política externa: a implementação do plano de paz para o Oriente Médio", afirma. Para o cientista, a "sorte" do atual governo é a ausência de uma liderança democrata forte, que poderia ameaçar Bush nas reeleições do ano que vem. |
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