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Austrália critica sentença dada a líder islâmico
O governo da Austrália afirmou estar decepcionado com a sentença de quatro anos de prisão dada ao líder islâmico Abu Bakar Ba'asyir por um tribunal da Indonésia. Abu Bakar Ba'asyir foi considerado culpado de subversão, mas escapou da pena de 15 anos pedida pela promotoria. O religioso foi absolvido das acusações de ter tentado derrubar o governo indonésio, depois que os juízes disseram não ter evidência suficiente para provar que ele é o chefe do grupo militante islâmico Jemaah Islamiah (JI). Mas os juízes também disseram que ele sabia da existência do grupo – que, acredita-se, teria ligações com a organização al-Qaeda de Osama bin Laden e teria sido responsável pelo atentado de Bali, no ano passado – e apoiava os seus objetivos. JI tem sido também acusado de uma série de outros ataques no sudeste asiático, incluindo a explosão em um hotel de Jacarta no mês passado. Ba'asyir negou as acusações, afirmando, inclusive, que o JI não existe, e insistiu ser vítima de uma conspiração liderada pelos Estados Unidos. Ele disse que irá apelar da decisão do tribunal. Austrália O ministro do Exterior australiano, Alexander Downer, disse continuar convencido de que Ba'asyir é mesmo o líder espiritual do Jemaah Islamiah e que, por isso, ele deveria ter recebido uma sentença de prisão mais longa. "Nós recebemos bem a decisão do tribunal, mas eu acho que haverá alguma controvérsia a respeito da duração da sentença. Nós esperávamos alguma coisa entre 10 e 12 anos", afirmou Downer. O atentando de Bali, em outubro de 2002, matou 202 pessoas, das quais 88 eram australianas. Falando sobre as vítimas do atentado, Downer disse que "muitos irão pensar que a sentença deveria ter sido muito mais longa". Ele admitiu, no entanto, que a pena é significativa, porque irá tirar Ba'asyir " do sistema por algum tempo" e ilustra o compromisso cada vez maior do governo indonésio em lidar com o "terrorismo". "Tem havido uma mudança muito grande em relação ao modo como os indonésios vêm lidando com esses assuntos desde o atentado de Bali, e nós achamos que isso é muito bom", afirmou o ministro.
Masduki Baidlowi, integrante do maior grupo muçulmano da Indonésia, Nahdlatul Ulama, disse que o veredicto deveria ser respeitado. O juiz que presidia o julgamento disse que a idade do líder e o bom comportamento dele no tribunal haviam sido levados em conta na hora de determinar a sentença relativamente leve. Medo de vingança A sentença imposta a Ba'asyir é bem menos do que os 15 anos pedidos pela promotoria, mas a correspondente da BBC em Jacarta, Rachel Harvey, disse que, para os seguidores do líder islâmico, qualquer pena seria vista como muito longa. Tem havido temores de que militantes linha-dura lancem ataques em represália à condenação. Ba'asyir manteve-se impassível durante o julgamento, mas, assim que a sentença foi anunciada, os seus simpatizantes começaram a gritar slogans contra os Estados Unidos. Logo depois, Ba'asyir disse a seus seguidores para que eles se mantivessem "em ordem e cuidadosos com as provocações dos Estados Unidos". Rachel Harvey diz que enquanto alguns podem estar surpresos com a pena leve que o líder pegou, para aqueles que acompanharam o julgamento de perto, o resultado não é inesperado. O caso contra Ba'asyir foi em grande parte baseado em depoimentos de testemunhas – sendo que os principais depoimentos eram de supostos militantes detidos em Cingapura e na Malásia. Algumas dessas testemunhas afirmaram que Ba'asyir é definitivamente o chefe do JI, mas disseram saber disso através de boatos e não de experiências pessoais. O líder religioso administrava uma escola em Java Central, antes de ser preso depois do ataque em Bali. |
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