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EUA e Coréia do Norte divergem em conversações
A Coréia do Norte e os Estados Unidos estão marcando forte posição em negociações na China, o que deve impedir o avanço das conversas para colocar um fim ao impasse criado há dez meses pela Coréia do Norte com seu programa nuclear. A informação foi dada pelo vice-ministro do Exterior da Rússia, Alexander Losyukov, à agência de notícias Itar-Tass. Segundo a agência, Losyukov disse que a Coréia do Norte "gostaria de estar livre de armas nucleares" mas, ao mesmo tempo, sente que há "uma ameaça dos Estados Unidos". A Coréia do Norte teria ainda negado ter armas nucleares. Declaração nesse sentido teria vindo do vice-ministro norte-corano do Exterior, Kim Yong Il. 'Nenhuma arma' Kim Yong Il disse à agência Itar-Tass que seu país "não tem nenhuma arma nuclear" e "não tem o objetivo de fabricá-las". Participam das conversações, previstas para durar três dias, representantes das Coréias do Sul e do Norte, da Rússia, da China, do Japão e dos Estados Unidos. O governo chinês pediu moderação antes do início do encontro, afirmando que posições extremas só iriam aprofundar as disputas e ameaçar a paz na região. O otimismo em torno do sucesso da rodada – que está sendo realizada depois de meses de tentativas – não é grande. Pressão Integrantes mais conservadores da administração americana têm defendido uma política de pressão e isolamento em relação à Coréia do Norte e afirmam que o governo norte-coreano está dando mostras de fraqueza diante da ameaça nuclear. A Coréia do Norte já avisou que a imposição de sanções contra o país significariam uma declaração de guerra. O representante da delegação chinesa, o vice-ministro do Exterior Wang-Yi, disse aos diplomatas antes de o encontro ser fechado à imprensa: "Eu quero dar as boas-vindas a todos vocês. Eu estou muito feliz que os seis países estão todos aqui representados". Ele já havia deixado claro que a China se opõe à adoção de sanções, a pressões muito fortes e a uma eventual ação militar, mas disse estar confiante de que o assunto poderá ser resolvido pacificamente. O correspondente da BBC em Pequim, Charles Scanlon, disse que os representantes da Coréia do Norte e dos Estados Unidos foram colocados lado a lado para que eles possam também conversar informalmente durante as sessões. Resignação Os Estados Unidos querem aumentar a pressão regional sobre o governo norte-coreno para que ele desista do programa nuclear, mas a China, a Rússia e a Coréia do Sul temem que o governo americano esteja indo muito longe, afirmam correspondentes.
O Japão também está no encontro porque procura alcançar progresso nas negociações sobre o seqüestro de cidadãos japoneses pela Coréia do Norte durante a Guerra Fria, complicando ainda mais a agenda da reunião. A Coréia do Norte, por sua vez, teme ser alvo de uma ação militar liderada pelos Estados Unidos e pediu que um pacto de não-agressão seja firmado com Washington. Os representantes admitem que as chances de sucesso do encontro são pequenas. Um ex-diplomata sul-coreano afirmou que a rodada já será considerada um sucesso se conseguir agendar um segundo encontro. Moderados Enquanto isso, em Washington, há sinais de que aqueles que defendem uma posição mais moderada em relação à Coréia do Norte estão sendo colocados de lado. O Departamento de Estado americano anunciou, pouco antes do início do encontro em Pequim, a saída de Jack Pritchard, um moderado que vinha engajado em conversas com o governo norte-coreano. O departamento negou veementemente que ele tenha sido forçado a renunciar, mas a saída de Pritchard em um momento tão importante sugere que o ponto de vista mais radical pode estar se tornando mais dominante, segundo o correspondente da BBC em Washington,David Bamford. Tensão Um funcionário do Ministério do Exterior britânico, Bill Rammell, disse à BBC que "um pacto de não-agressão não está na mesa, mas há outros mecanismos". Ele afirmou que se a Coréia do Norte não concordar em abandonar o seu programa nuclear, sanções são uma possibilidade. A tensão aumentou na região pouco antes do encontro em Pequim. A Coréia do Sul disparou tiros de alerta em direção a um navio norte-coreano que cruzou uma linha de disputa. Também houve confrontos em Daegu, na Coréia do Sul, quando repórteres norte-coreanos que cobrem os jogos estudantis realizados na cidade atacaram manifestantes que protestavam contra o regime da Coréia do Norte. No entanto, a decisão japonesa – tomada na terça-feira – de deixar uma balsa norte-coreana voltar para casa depois de buscas intensas ao navio pode ajudar a acalmar os ânimos. A crise teve início em outubro, quando os Estados Unidos anunciaram que a Coréia do Norte havia admitido ter um programa de armas nucleares secreto. Desde então, a Coréia do Norte reativou uma reator nuclear, expulsou inspetores da Agência Internacional de Energia Atônia da ONU do país e abandonou o tratado de não-proliferação de armas nucleares. |
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