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Resultados parciais em Ruanda dão vitória a presidente
O presidente de Ruanda, Paul Kagame, deverá ser eleito com uma vitória esmagadora, de acordo com os primeiros resultados das eleições realizadas no país. Depois de cerca de metade votos já contada, Kagame conquistou mais de 94% deles, segundo a Comissão Eleitoral de Ruanda. Essa é a primeira eleição democrática do país desde o genocídio de 1994, no qual cerca de 800 mil pessoas foram mortas. O comparecimento às urnas foi de cerca de 80%. Kagame pertence à etnia tutsi e foi um dos líderes do movimento rebelde que colocou um fim ao assassinato de milhares de integrantes da minoria tutsi e de hutus moderados por hutus extremistas. A correspondente da BBC em Ruanda, Ishbel Matheson, disse que, se a vitória de Kagame for confirmada, ele será o primeiro tutsi a ser eleito presidente. Eleições pacíficas A rádio de Ruanda afirmou que o presidente da Comissão Eleitoral, Chrysologue Karangwa, havia elogiado os ruandeses pela participação pacífica no processo eleitoral. Ele disse à imprensa que houve problemas em algumas áreas onde os fiscais eleitorais estariam dizendo aos moradores em quem votar. Antes da votação ter início, o presidente Kagame fez um apelo para que a população votasse como ruandeses e não como hutus, tutsis ou twa. Mas a oposição acusa Kagame de explorar receios de um retorno do conflito étnico para acabar com vozes dissidentes. Grupos de direitos humanos reclamaram de intimidação, principalmente contra o principal rival de Kagame, um hutu moderado que já foi primeiro-ministro, Faustin Twagiramungu. Campanha Twagiramungu afirmou não ter tido condições de realizar sua campanha livremente. Na noite anterior à votação, 12 de seus simpatizantes foram presos, acusados de planejar "atos de violência" nas províncias. "O meu principal objetivo não é ser presidente. Eu estou lutando por democracia. Se as eleições correrem sem fraudes, sem atrasos, eu aplaudirei o vencedor", afirmou Twagiramungu depois de votar. Correspondentes afirmam que essa é, na verdade, a primeira vez que os ruandeses têm a oportunidade de votar para candidatos de oposição. As lojas na capital Kigali estavam fechadas, e as ruas vazias durante a votação, segundo relatos da agência de notícias Associated Press. "É muito importante votar", disse Jean Bosco Ndizeye, um estudante universitário. "Nós queremos democracia. Isso faz parte de democracia e direitos humanos. Nós podemos votar para quem quisermos", completou. 'Ditadura' O grupo de direitos humanos Anistia Internacional acusou o partido de Kagame, a Frente Patriótica Ruandesa, de usar táticas que incluem ameaças de morte para tentar derrubar a oposição. O partido de Twagiramungu foi banido por "fomentar divisões étnicas", e ele disse que Ruanda é uma "ditadura". A comunidade internacional estará acompanhando de perto para ver se os resultados das eleições desta segunda representarão o início de uma socidade genuinamente democrática ou simplesmente a consolidação do regime de Kagame no poder. O chefe da equipe de observação da União Européia disse que as eleições haviam corrido tranquilamente. Mesmo assim, a equipe reconhece que as eleições não foram realizadas sem nenhum problema. "Você não pode falar de eleições democráticas no sentido clássico da palavra. Isso requere oposição, e não há oposição", disse Nellie Maes, um integrante belga do Parlamento europeu que está em Ruanda como observador. No domingo, Alivera Mukabaramba se retirou da corrida eleitoral e aconselhou seus simpatizantes a votar para Kagame, segundo um porta-voz da candidata. Com a retirada de Alivera, havia apenas dois outros candidatos concorrendo com o atual presidente, Twagiramungu e Jean Nepomuscene Nayinzira |
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