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Atualizado às: 26 de agosto, 2003 - 16h55 GMT (13h55 Brasília)
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Presidente de Ruanda proclama vitória em eleição
O comparecimento às urnas foi de 80%
O comparecimento às urnas foi de 80%

O presidente de Ruanda, Paul Kagame, se autoproclamou vitorioso nas eleições presidenciais do país, realizadas nesta segunda-feira.

De acordo com resultados oficiais, anunciados pela comissão eleitoral de Ruanda, Kagame recebeu 95,05% dos votos contra 3,62% de Faustin Twagiramungu, principal adversário do atual presidente.

"Esta vitória é a fundação de um novo estágio de desenvolvimento em que estamos entrando", disse Kagame a simpatizantes, segundo a agência de notícias Associated Press. "Nossa vitória deve ser uma mensagem para o mundo de que Ruanda está no caminho certo."

Essa é a primeira eleição democrática do país desde o genocídio de 1994, no qual cerca de 800 mil pessoas foram mortas.

'Stalinista'

O comparecimento às urnas foi de cerca de 80%. Kagame pertence à etnia tutsi e foi um dos líderes do movimento rebelde que colocou um fim ao assassinato de milhares de integrantes da minoria tutsi e de hutus moderados por hutus extremistas.

A vitória esmagadora do atual presidente, porém, não foi aceita por Twagiramungu – que chamou o pleito de "stalinista".

Faustin Twagiramungu
O principal candidato de oposição, Faustin Twagiramungu, disse que eleição não foi justa

A oposição e grupos de defesa dos direitos humanos disseram que os eleitores foram assediados, intimidados e sofreram até ameaças de morte por parte de pessoas ligadas à campanha de Kagame.

Na noite anterior à votação, 12 dos simpatizantes de Twagiramungu foram presos, acusados de planejar "atos de violência" nas províncias.

Campanha

O partido de Twagiramungu foi declarado ilegal por "fomentar divisões étnicas", e o candidato também havia dito que Ruanda é uma "ditadura".

"O meu principal objetivo não é ser presidente. Eu estou lutando por democracia. Se as eleições correrem sem fraudes, sem atrasos, eu aplaudirei o vencedor", afirmou Twagiramungu, um hutu moderado, depois de votar.

Correspondentes afirmam que essa é, na verdade, a primeira vez que os ruandeses têm a oportunidade de votar em candidatos de oposição.

As lojas na capital Kigali estavam fechadas, e as ruas vazias durante a votação, segundo relatos da agência de notícias Associated Press.

"É muito importante votar", disse Jean Bosco Ndizeye, um estudante universitário. "Nós queremos democracia. Isso faz parte da democracia e dos direitos humanos. Nós podemos votar para quem quisermos", completou.

Voto de união

Segundo a correspondente da BBC em Kigali Ishbel Matheson, nunca houve realmente dúvidas sobre a vitória de Kagame.

Matheson disse que a candidatura uniu os ruandeses, em uma incrível reviravolta para um país que, há apenas nove anos, foi palco de um violento confronto entre suas principais etnias.

Antes do início da votação, Kagame pediu ao povo que votasse como ruandês e não como hutu, tutsi ou tvá.

Simpatizantes de Paul Kagame
Presidente pediu que população votasse como ruandense, não como representante alguma etnia

Mas a oposição acusa Kagame de explorar receios de um retorno do conflito étnico para acabar com vozes dissidentes.

A rádio de Ruanda informou que o presidente da Comissão Eleitoral, Chrysologue Karangwa, havia elogiado os ruandeses pela participação pacífica no processo eleitoral.

Ele disse à imprensa que houve problemas em algumas áreas onde os fiscais eleitorais estariam dizendo aos moradores em quem votar.

“Ditadura”

A comunidade internacional estará acompanhando de perto para ver se o resultado das eleições desta segunda representará o surgimento de uma sociedade genuinamente democrática ou simplesmente a consolidação do regime de Kagame no poder.

O chefe da equipe de observação da União Européia disse que as eleições haviam corrido tranqüilamente.

Mesmo assim, a equipe reconhece que houve problemas nas eleições.

"Você não pode falar de eleições democráticas no sentido clássico da palavra. Isso requer oposição, e não há oposição", disse Nellie Maes, um integrante belga do Parlamento europeu que está em Ruanda como observador.

No domingo, Alivera Mukabaramba se retirou da corrida eleitoral e aconselhou seus simpatizantes a votar em Kagame, segundo um porta-voz da candidata.

Com a retirada de Alivera, havia apenas dois outros candidatos concorrendo com o atual presidente, Twagiramungu e Jean Nepomuscene Nayinzira.

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