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Atualizado às: 26 de agosto, 2003 - 23h38 GMT (20h38 Brasília)
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Embaixador brasileiro na OMC não vê sinais de acordo em Cancún

Sala da OMC em Genebra
Reuniões preparatórias em Genebra avançaram muito pouco

O embaixador do Brasil junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), Luis Felipe de Seixas Correia, disse em Genebra que não vê "nenhuma indicação" de que um acordo de liberalização do setor agrícola será atingido na reunião ministerial em Cancún, no México, no mês que vem.

"Mas temos de continuar lutando por um acordo, porque a última coisa de que se deve abrir mão é a esperança", disse o diplomata, em um intervalo da reunião preparatória para Cancún que acontece em Genebra.

O encontro na Suíça avançou muito pouco em direção a um consenso, e o Brasil foi um dos países que mais reclamaram da proposta apresentada para discussão na reunião.

"A proposta apresentada aqui (preparada pelo presidente do Conselho da OMC) não é considerada pelo Brasil uma base para negociações porque reduz as ambições da rodada de Doha", afirma Correia.

Insatisfação

O texto discutido exaustivamente por diplomatas só alcançou um consenso: ninguém está satisfeito com ele.

Seixas Correia admite que as propostas lá escritas também não são satisfatórias para os adversários do Brasil nesta negociação.

"Estas coisas funcionam assim mesmo: um texto inicial tem de desagradar todo mundo, porque senão significaria que alguém está sendo favorecido”

Mas para o diplomata, a proposta causou "diferentes graus de insatisfação", e o Brasil estaria entre os mais insatisfeitos.

Segundo Seixas Correia, o texto atual "não cria condições para a redução dos subsídios agrícolas internos (da União Européia e dos Estados Unidos) e para a exportação", a principal demanda do Brasil e de outros países em desenvolvimento.

G-20

O embaixador quer que a OMC não desconsidere a proposta preparada pelo grupo formado pelo Brasil e mais dezenove países com grande produção agrícola, o chamado G-20.

“Nossa proposta avança em direção a um consenso e representa países que têm 63% da população rural do mundo”, defende.

Uma das grandes preocupações do Brasil é criar parâmetros que possibilitem a definição de um prazo para o fim dos subsídios agrícolas.

O texto que está em discussão prevê o fim progressivo destes subsídios, mas não dá qualquer indicação de quando isto iria acontecer.

Mas apesar da pressão dos países em desenvolvimento, um representante da União Européia já disse nesta terça-feira durante a reunião "que vai ser muito difícil que a Europa aceite a definição de uma data."

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