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Atualizado às: 19 de agosto, 2003 - 23h59 GMT (20h59 Brasília)
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Análise: Por que a ONU virou alvo?

Bagdá
Funcionários feridos da ONU deixam o prédio bombardeado

O ataque à sede da ONU em Bagdá, que matou o enviado especial Sérgio Vieira de Mello, deve ter sido deflagrado não apenas por causa da resistência iraquiana a todos as forças ocupantes do país.

Deve haver uma razão específica também, ligada a uma votação no Conselho de Segurança na semana passada.

No dia 14 de agosto, o órgão deu o seu aval ao recentemente formado Conselho de Governo Iraquiano e aprovou o estabelecimento de uma missão de assistência ao país.

A ONU, portanto, deve ter sido vista pela resistência iraquiana como um instrumento dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha na ocupação do Iraque.

Alvo

Se Vieira de Mello era um alvo individual não se sabe.

É relativamente raro figuras do alto escalão da ONU serem atacadas.

Já trabalhadores de nível mais baixo, que ficam próximos à ação, acabam morrendo de vez em quando assassinados ou por acidente.

O mais famoso assassinato da história das Nações Unidas foi o do Conde Folke Bernadotte, morto a tiros por extremistas israelenses em 1948 em Jerusalém.

Bernadotte era mediador na palestina e enfureceu a base judaica ao sugerir que Jerusalém se tornasse uma cidade internacional.

Nos dias atuais, especialmente depois do 11 de Setembro, talvez não houvesse surpresa se alguém da ONU fosse escolhido de novo.

Ao aprovar o Conselho de Governo Iraquiano, escolhido pela autoridade provisória da coalizão, o Conselho de Segurança coloca seu peso atrás de um movimento em direção a um eventual Iraque democrático.

Ao instalar a missão de assistência, a ONU estava jogando a sua influência e os seus recursos na mesma direção.

Se aqueles por trás do ataque eram apoiadores do regime que caiu ou islâmicos que tentavam fazer do Iraque um novo campo de batalha, a ONU representou um alvo.

A resolução 1500 do Conselho de Segurança disse "dar as boas-vindas ao estabelecimento do amplamente representativo Conselho de Governo do Iraque em 13 de julho de 2003 como um importante passo rumo à formação pelos moradores do Iraque de um governo conhecido internacionalmente que vai exercer a soberania do país".

O texto veio acompanhado de um relato do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que listava a maneira como as 300 missões de assistência existentes poderiam ajudar nesse processo - desde a ajuda no diálogo político nacional, treinamento de policiais, estabelecimento de um centro de imprensa e de um processo eleitoral, além de ajuda humanitária.

Choque para a ONU

O ataque ao quartel-general da ONU não foi a primeira hostilidade que a organização sofreu no país.

Em julho, escritórios de Mosul foram atacados e o número de funcionários na cidade foi reduzido. A ONU deixou de pousar em Mosul e escolheu Irbil.

No dia 29 de junho, tiros foram disparados do lado da fora do prédio que agora foi bombardeado, o Canal Hotel.

Mas este ataque é algo muito maior e um choque enorme não apenas para as operações da ONU no Iraque, mas para as esperanças dos que querem um papel muito maior da entidade no país.

O ataque também deve ter tido a intenção de tentar barrar qualquer presença maior da ONU lá, especialmente uma força de paz.

Atualmente, em Nova York, discussões sobre como aumentar a participação da ONU no processo continuam.

Um oficial britânico disse que essa era uma questão "crucial".

Entretanto, a movimentação parece não estar sendo muito rápida.

Tropas de paz

Alguns países, liderados pela França, querem que a ONU tenha uma relação mais igualitária com a autoridade da coalizão (isto é, americanos e britânicos).

A resolução que determina o que a ONU deve fazer no Iraque - 1463 - dá à instituição uma posição secundária, por exemplo ajudando a formar o Conselho de Governo.

Além disso, muitos governos (a Índia era um exemplo importante recentemente) não vão enviar tropas para ajudar a manter a paz no Iraque sem um mandato da ONU.

Mas se a insistência iraquiana está agora mirando na ONU, aqueles países ficarão relutantes em ajudar até mesmo com um mandato.

As Nações Unidas eram vistas por muitos como uma solução para a presente crise.

O ataque pode forçá-los a pensar de novo.

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