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Atualizado às: 18 de agosto, 2003 - 20h39 GMT (17h39 Brasília)
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Rebeldes da Libéria assinam acordo de paz
Soldado de paz ao lado de rebelde do Lurd
Soldado de paz ao lado de rebelde do Lurd

Grupos rebeldes da Libéria assinaram nesta segunda-feira, em Gana, um acordo de paz para pôr fim à guerra civil no país.

O documento prevê a instalação de um governo provisório que deve ter alguns de seus ministérios ocupados por rebeldes.

A solução do conflito ficou mais próxima quando o presidente Charles Taylor renunciou ao cargo e se exilou depois de intensa pressão internacional.

Segundo um correspondente da BBC, a notícia provocou uma onda cautelosa de otimismo sobre o fim dos conflitos.

Um negociador da África Ocidental, Mohammed Ibn Chambas, disse à BBC que todas as questões haviam sido resolvidas em conversas que terminaram nas primeiras horas do dia.

Normalidade

Enquanto isso, a vida na capital da Libéria, Monróvia, está lentamente retornando ao normal depois que o principal grupo rebelde se retirou da área portuária na semana passada.

O correspondente da BBC Alastair Leithead, que está na cidade, diz que mais lojas estão abrindo, ônibus e táxis começam a retornar às ruas e comerciantes começam a reparar o estrago da guerra.

Um navio carregando ajuda à Libéria naufragou numa tempestade a caminho da vizinha Serra Leoa, de acordo com agência humanitária World Vision.

Todas as 22 pessoas a bordo foram resgatadas, mas a maioria do carregamento de ajuda humanitária avaliado em US$ 100 mil (aproximadamente R$ 300 mil) foi perdida.

Um entendimento, que levou ao acordo final, foi atingido no domingo, quando mediadores da África Ocidental ameaçaram interromper as conversas em Gana caso o grupo Liberianos Unidos para Reconciliação e Democracia (Lurd) não aceitasse o acordo.

O segundo grupo rebelde, o Movimento para Democracia na Libéria (Model), também apóia o acordo, diz Chambas.

As negociações visavam estabelecer um governo transitório que vai assumir em outubro e levar o país a eleições democráticas em dois anos.

Ajuda ideal

Dezenas de pessoas procuram emprego no porto, recentemente abandonado pelos rebeldes do Lurd.

"Estamos vendo a paz chegar ao nosso país", disse Johnson Saryee, um motorista de caminhão desempregado.

"Hoje está melhor do que ontem, os homens armados estão indo embora. A situação está mudando gradualmente."

Os lados opostos nas conversas concordaram previamente em ajudar organizações humanitárias a ter acesso irrestrito a todas as regiões do país.

Kabineh Ja'neh, da delegação do Lurd, disse que o grupo não iria pressionar pela vice-presidência, mas que ficou combinado que o posto poderia ser disputado por qualquer um.

Um dos delegados do Lurd, George Dweh, disse: "Nós estamos fazendo isso para mostrar nosso compromisso com a resolução antecipada da crise liberiana".

"Queremos provar para o mundo inteiro que tudo isso não foi apenas uma demonstração de que o Lurd quer o poder."

No sábado, o grupo ameaçou recomeçar a batalha se não conseguisse dois postos no governo.

O presidente interino da Libéria, Moses Blah, saiu da negociação e voltou para casa em protesto contra a exigência.

Exílio

Dezenas de milhares de liberianos estão desesperadamente precisando de comida depois de semanas de luta entre o governo e as forças rebeldes.

O ex-presidente Charles Taylor partiu para o exílio na Nigéria no dia 11 de agosto numa tentativa de colocar fim a anos de conflito.

A força de paz Ecomil, da África Ocidental, está no país há duas semanas.

No domingo, mais tropas nigerianas chegaram, e a Ecomil expandiu a área sob seu controle perto de Monróvia.

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