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Otan testa nova função no Afeganistão
O novo papel da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) à frente da Força Internacional de Assistência à Segurança no Afeganistão será a primeira grande operação da aliança fora da Europa. A Otan assume o comando das mãos da Alemanha e da Holanda, que vinham liderando a força conjuntamente desde fevereiro. Mas a aliança assume o comando indefinidamente, acabando com a necessidade de que, a cada seis meses, seja encontrada uma nova nação encarregada da força. Um porta-voz da Otan, Mark Laity, disse que isso vai garantir maior continuidade, permitindo à força uma abordagem no longo prazo dos problemas de segurança de Cabul, a capital afegã. A força tem cerca de 5 mil soldados de 31 países. A maioria dos soldados vem de países-membros da Otan. Pelo mandato das Nações Unidas, a força de segurança é responsável apenas pela capital e áreas vizinhas. Maior atuação? Há pedidos constantes para que a força de segurança amplie sua área de atuação para todo o Afeganistão. O porta-voz da Otan disse que ainda é cedo demais para discutir qualquer mudança na área de operação da força. Mas o ministro da Defesa da Alemanha, Peter Struck, pediu o envio de forças internacionais para outras regiões assim que seu país passar o comando dos soldados para a Otan. Struck disse que a Alemanha está pensando em enviar tropas de paz para a cidade de Kunduz, no norte do país. Esse envio de tropas seria provavelmente parte das chamadas Equipes Provinciais de Reconstrução - grupos de até 100 militares estacionados em centros regionais e que ajudam a dar segurança para ajuda humanitária e trabalho de reconstrução. Quatro equipes desse tipo já estão operando em várias cidades nas Províncias afegãs. Elas estarão sob o comando da coalizão liderada pelos americanos e não da força de segurança que tem mandato da ONU. Para a Otan, o envolvimento no Afeganistão é o primeiro grande passo para que a aliança se adapte a um mundo pós-Guerra Fria. A desintegração do bloco soviético deixou a aliança sem objetivo claro. Os ataques contra os Estados Unidos no dia 11 de setembro de 2001 deram uma nova finalidade à Otan. Lições Na cúpula da Otan em Praga (República Tcheca) no ano passado, os líderes da aliança concordaram que o velho sistema de se concentrar na defesa das fronteiras geográficas já não é suficiente. Num mundo de ameaças globalizadas de terrorismo, funcionários da Otan agora dizem que a aliança precisa agir para conter essas ameaças onde quer que as encontre. Ajudar a impedir que o Afeganistão regrida para um Estado fracassado é uma tarefa apropriada para a nova Otan. Talvez ainda seja cedo demais para perguntar se o Afeganistão vai ensinar lições que possam ser aplicadas em outros lugares. Mas o ministro da Defesa da Alemanha sugeriu em um jornal alemão que as tropas do país podem participar de uma força da Otan no Iraque se houver um mandato da ONU autorizando. As forças da Otan já estão envolvidas fem missões de paz na Bósnia e em Kosovo. A logística de enviar tropas aos Bálcãs é muito menos complicada do que no Afeganistão, porque a região é mais próxima da Europa e a infra-estrutura é mais desenvolvida. No pobre e remoto Afeganistão - um país sem saída para o mar - todo o equipamento e suprimentos enviados ao país têm que entrar por via aérea. A área de operações de Cabul é muito menor do que nos Bálcãs, mas o Afeganistão vai apresentar muitos desafios com suas divisões étnicas, cultura tribal conservadora e ameaça sempre presente de extremistas islâmicos. |
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