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Comandantes apoiados pelos EUA aterrorizam afegãos, diz ONG
Comandantes locais apoiados pelos Estados Unidos estão criando um clima de medo no Afeganistão, diz a organização internacional de defesa de direitos humanos Human Rights Watch. Um relatório divulgado pela organização nesta terça-feira afirma que o apoio da coalizão liderada pelos Estados Unidos aos comandantes no Afeganistão está desestabilizando o país e pode ameaçar as eleições marcadas para 2004. A Human Rights Watch também destaca abusos praticados por militares e policiais - alguns empregados junto a ministros do governo do presidente Hamid Karzai. A divulgação do relatório ocorre um dia depois que o vice-governador de uma província afegã pediu que as forças da coalizão organizem uma operação militar que tenha como alvo as forças do Talebã que, segundo ele, estão se rearticulando. "Seqüestro" Brad Adams, da Human Rights Watch, disse que os comandantes "seqüestraram" o país, com exceção da capital, Cabul. "As violações dos direitos humanos no Afeganistão estão sendo cometidas por homens armados e comandantes que foram catapultados para o poder pelos Estados Unidos e seus parceiros na coalizão depois que o regime do Talebã caiu, em 2001", afirmou Adams. "Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha em particular precisam decidir se estão com o presidente Karzai e outros reformistas em Cabul ou com os comandantes locais", acrescentou o representante da Human Rights Watch. Um porta-voz de Karzai disse que o governo está fazendo tudo o que pode para reduzir as violações dos direitos humanos, mas essa é uma "tarefa gigantesca". Entre os abusos atribuídos a militares e policiais no relatório, constam seqüestros, roubos, estupros e extorsão. Ainda segundo a organização, ativistas políticos e jornalistas estão sendo intimidados, presos e ameaçados de morte por agentes de segurança. Em algumas partes do país, a atmosfra de intimidação faz com que mulheres não deixem suas casas e meninas deixem de freqüentar a escola. A ameaça contínua das forças do Talebã também está causando preocupação em algumas áreas. Seis policiais afegãos morreram em uma emboscada armada por supostos combatentes do Talebã e da organização Al-Qaeda na Província de Helmand, no domingo. Temores do ressurgimento do Talebã levaram o vice-governador da província de Zabol, no sul do país, a pedir apoio militar da coalizão liderada pelos Estados Unidos. O Mulá Mohammed Omar (homônimo do líder espiritual do Talebã) disse que as forças da província não conseguem lidar com o problema. Centenas de combatentes do Talebã estariam circulando livremente por vários distritos, intimidando funcionários do governo, disse Omar. As eleições no Afeganistão estão marcadas para o ano que vem, mas o relatório da Human Rights Watch adverte que se a situação não melhorar o processo democrático estará ameaçado. |
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