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Atualizado às: 10 de agosto, 2003 - 17h19 GMT (14h19 Brasília)
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Grã-Bretanha tem o dia mais quente da história
Crianças brincam em fonte na frente do Buckingham Palace
Crianças brincam em fonte na frente do Buckingham Palace

A Grã-Bretanha está tendo neste domingo o dia mais quente de sua história.

No aeroporto de Heathrow, no oeste de Londres, foram registrados 37,9º Celsius ou 100,2º Fahrenheit - temperatura inédita não só para a capital, mas para todo o país.

Até este domingo, o recorde pertencia a Cheltenham, cidade no centro da Inglaterra onde haviam sido registrados 37,1º C em agosto de 1990.

Também é a primeira vez desde 1870, quando as temperaturas começaram a ser registradas de acordo com um sistema global, que os britânicos vêem o termômetro passar da marca de 100º Fahrenheit.

O recorde, no entanto, é má notícia para casas de apostas, que vão ter de pagar milhões de libras para quem confiou no verão britânico. Só William Hill vai ter de pagar 250 mil libras (o equivalente a R$ 1,2 milhão).

Mais cerveja

Já os proprietários de bares não têm do que se queixar. Segundo a France Presse, apenas neste fim de semana, eles deverão ter vendido 3 milhões de pints (a medida britânica para cerveja, cerca de 500 ml) mais do que o normal.

E as previsões meteorológicas indicam que as temperaturas podem aumentar ainda mais.

"No verão, o calor geralmente só atinge o pico às 17h, portranto", afirmou metereologista Martin Rowley à agência de notícias France Presse.

Milhares de pessoas estão buscando parques e piscinas públicas, outros procuram refresco na costa britânica.

Incêndios e mortes

Mas o calor forte, que vem assolando a Grã-Bretanha e toda a Europa nas últimas duas semanas, não é só motivo de deleite para os europeus.

Incêndios, estimulados pelo vento quente, destruíram 175 mil hectares de bosques e florestas em vários países do continente, sendo Portugal o mais afetado.

Cerca de 40 pessoas já morreram nos incêndios e em outros incidentes ligados ao calor.

Na área da capital francesa, Paris, as temperaturas são comparáveis às de Meca, na Arábia Saudita. Bombeiros têm recebido cerca de 600 telefonemas por dia de pessoas sofrendo com o calor.

Nas lojas de eletrodomésticos da cidade aumentaram as vendas de ventiladores portáteis, enquanto as pessoas buscam uma forma de aliviar o calor.

Na própria Grã-Bretanha, turistas ficaram desapontados com o fechamento da London Eye - uma roda gigante com vista panorâmica à beira do Tâmisa. A medida foi tomada porque o calor tornou insuportável a permanência dentro das cápsulas de vidro da atração.

Na Itália, o centro de pesquisas estatal CRN, informou que as condições climáticas devem permanecer as mesmas até setembro. O centro descreveu a atual onda de calor como uma das cinco piores dos últimos 150 anos.

O calor extremo vem sendo parcialmente atribuído a intensa atividade das monções ao sul do deserto do Saara, no continente africano, que vem empurrando o ar quente para o continente europeu e impedindo a chegada da brisa atlântica.

Segundo o correspondente de meio ambiente da BBC, Tim Hirsch, o clima desta semana se encaixa em uma tendência global de quebras regulares de recordes de temperatura.

Em nove dos últimos 12 anos, a temperatura média mundial tem sido mais alta do que em qualquer dos anos anteriores, desde que começaram as medições, no século 19. Segundo ele, os anos 90 foram, provavelmente, os mais quentes dos últimos mil anos.

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