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Atualizado às: 04 de agosto, 2003 - 17h15 GMT (14h15 Brasília)
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EUA ainda temem riscos de missão de paz na Libéria
Soldado nigeriano na Libéria
Os soldados nigerianos têm uma tarefa difícil pela frente

A população da Libéria vinha aguardando com ansiedade a chegada dos 3.250 soldados da força de paz africana, agora amparada por um mandato da ONU.

Quando os combates chegaram às ruas da capital, Monróvia, em junho, os liberianos recorreram aos Estados Unidos, com quem o país guarda laços históricos, e à Nigéria, potência regional, em busca de ajuda.

Os dois países, porém, relutaram num primeiro momento em agir devido a experiências difíceis de manutenção de paz no passado.

"Para a Nigéria, é uma questão de logística e dinheiro. Já os americanos observam a situação como se fosse uma nova Mogadishu", disse Henri Boshoff, analista militar do Instituto de Estudos de Segurança de Pretória, na África do Sul.

Somália

A última vez que os Estados Unidos intervieram numa guerra civil africana, há dez anos, o resultado foi uma humilhação vista pela TV em todo o mundo.

Soldados americanos enviados à capital da Somália, Mogadishu, sofreram emboscadas, foram mortos e tiveram os corpos arrastados pelas ruas. O país bateu em retirada, encerrando a missão humanitária fracassada.

Após muita discussão e disputa entre o Pentágono, mais cauteloso na questão liberiana, e o Departamento de Estado, pró-intervenção, o presidente George W. Bush enviou três navios de guerra à costa da Libéria.

Bush determinou, porém, que as tropas permaneçam a bordo até que um cessar-fogo seja obtido e o presidente liberiano, Charles Taylor, deixe o país.

"Se a sua casa está pegando fogo e alguém diz: 'Aqui estou - e tenho um carro de bombeiros. Quando você apagar o fogo na casa, eu entro.' Fico pensando que tipo de ajuda é essa, com o devido respeito", afirmou o analista à BBC.

Os estrategistas militares do Pentágono estão preocupados em evitar espalhar demais as tropas americanas pelo mundo - milhares delas continuam no Iraque e no Afeganistão, entre outros lugares.

Os moradores de Monróvia mostraram a sua decepção com a falta de ação americana empilhando corpos de vítimas do conflito em frente à embaixada dos Estados Unidos.

Repetição da história

A Ecowas, organização que congrega nações do oeste da África, prometeu inicialmente enviar forças para garantir a paz na Libéria em 4 de julho.

Mas a sua chegada atrasou em cerca de um mês, período no qual centenas de pessoas morreram em Monróvia e outras partes.

Há fortes razões para o atraso. Nos anos 1980 e 1990, a Nigéria liderou tropas de paz africanas na vizinha Serra Leoa.

"Gastamos bem mais de US$ 12 bilhões enquantos estivemos na Libéria e em Serra Leoa por mais de 12 anos", declarou o presidente nigeriano, Olusegun Obasanjo.

"O mundo não reconheceu isso, nem mesmo na forma de alívio de nossa dívida pela contribuição que fizemos", acrescentou ele.

O enorme custo em termos financeiros e humanos - centenas de soldados morreram - fez da intervenção um fato impopular entre o público da Nigéria.

Para alguns liberianos, soldados nigerianos trazem lembranças ruins - para muitos, eles eram mais uma das partes conflitantes na guerra de Serra Leoa, roubando civis e participando do comércio ilegal de diamantes.

Entretanto, a Ecomog (força de paz liderada pela Nigéria) conseguiu evitar que o chefe guerreiro Charles Taylor tomasse Monróvia, levando a um fim da guerra por meio de negociações e eleições.

Numa reviravolta da história, atualmente Taylor espera que a força africana faça com os seus adversários rebeldes o mesmo que aconteceu com ele.

Apesar do compromisso americano em destinar US$ 10 milhões para a missão de paz e a chegada dos primeiros nigerianos a Monróvia, os problemas da Libéria ainda estão longe de ser resolvidos.

A Ecowas pensa em enviar 1.500 nigerianos ao país inicialmente, o que é visto como muito pouco por analistas militares para separar as partes conflitantes.

Em 2000, centenas de soldados de Zâmbia atuando em nome da ONU em Serra Leoa foram capturados por rebeldes.

O ex-chefe da Ecomog, o general da reserva nigeriano Victor Malu, diz que seriam necessários 5 mil homens para dar segurança a Monróvia e 12 mil para tranquilizar o país todo.

"É um engano custoso mandar apenas dois batalhões a Monróvia", declarou ele.

Garantir a paz nos próximos meses promete ser uma tarefa cara e complexa, observam os analistas.

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