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Atualizado às: 22 de julho, 2003 - 10h51 GMT (07h51 Brasília)
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Se voltar para Uganda, Idi Amin será julgado
O ex-presidente da Uganda Idi Amin
Amin em 1978, ainda no poder: alguns dizem que seu regime foi o mais sangreto da história da África

Em Kampala, na capital da Uganda, um assessor do presidente Yoweri Musevini disse que o convalescente ex-ditador do país Idi Amin vai enfrentar um julgamento se voltar do exílio na Arábia Saudita.

John Nagenda afirmou também que todos os ugandenses têm o direito de morrer em sua terra natal.

O assessor de Musevini disse que o atual presidente tem até o direito de perdoar Amin, mas só depois que ele for condenado.

O partido político que levou um golpe de Amin em 1971 está entre as forças que defendem a volta dele para o país, para que o ex-presidente possa morrer em sua pátria.

Direitos Humanos

Grupos internacionais de direitos humanos lamentam a possibilidade de ele morrer em liberdade, em vez ir para a prisão.

"Lamentamos que Idi Amin está morrendo sem ter encarado a Justiça pelos seus crimes", disse Reed Brody, diretor do Human Rights Watch (HRW).

Idi Amin liderou a ditadura considerada por muitos como a mais sangrenta da história da África, entre 1971 e 1979.

O ex-ditador, de 78 anos, está em coma num dos hospitais mais bem-equipados da cidade árabe de Jeddah, vítima de problemas arteriais.

Um porta-voz do hospital disse que o estado de saúde do ugandense piorou na segunda-feira.

Ele decidiu morar na Arábia Saudita há dez anos, depois de passar também uma década na Líbia.

O HRW diz que, enquanto se tornava cada vez mais possível processar ex-ditadores exilados em outros países, Idi Amin "não foi pego em tempo".

Uma das várias esposas de Amin, Madina, confirmou que a família pediu permissão ao governo para levar o corpo à Uganda quando o ditador morrer.

Ela informou que o ex-presidente sofria de hipertensão havia muito tempo, antes de entrar em estado de coma na sexta-feira.

Ele não retornou à Uganda desde que foi deposto por forças da Tanzânia e exilados ugandenses.

O correspondente da BBC no país, Will Ross, diz que ainda restam muitas pessoas feridas e que se tornaram deficientes físicas vítimas da ditadura de Amin, mesmo depois de 24 anos do final do regime.

Ross afirma que aqueles "com idade suficiente" nunca se esquecerão daquele período.

Aproximadamente 400 mil pessoas morreram ou ainda estão desparecidas.

Sob o regime, os asiáticos que dominavam os negócios na Uganda tiveram 90 dias para abandonar o país, seguindo uma tentativa de "africanizar" a economia.

Muitos deles fugiram para a Grã-Bretanha depois que propriedades foram confiscadas.

Uma geração inteira de intelectuais ugandenses foi morta ou exilada depois de criticar a ditadura.

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