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Formandos de Belém temem ficar sem emprego com bloqueio a estradas
Dez dias depois de as tropas israelenses se retirarem da cidade, a Universidade de Belém marcou o fim do ano letivo com a formatura de 400 estudantes. "Este foi um ano extremamente difícil, nem acredito que conseguimos formar tantos estudantes", disse a irmã Patricia Crockford à BBC Brasil. A irmã Patricia é pianista e dirige o departamento de música da Universidade de Belém há 20 anos. Segundo Patricia, os últimos dois anos e meio, desde o início da Intifada, foram os anos mais difíceis desde a fundação da universidade. Toque de recolher "Durante a invasão das tropas israelenses, passamos por longos períodos sob toque de recolher", contou Patricia, "e isso obviamente afetou o nosso ano letivo, pois não podíamos nem sair de casa". A estudante Maha Nabil Banura, de 23 anos, se formou em Ciências Sociais, mas disse à BBC Brasil que não tem nenhuma perspectiva de trabalho. "Belém é uma cidade muito pequena e, como todas as saídas da cidade estão bloqueadas, eu nem poderia trabalhar em outra cidade palestina." Apesar dos longos períodos de toque de recolher, Maha contou que conseguiu concluir os estudos graças a um programa de ensino à distância promovido pela universidade. "Recebemos os textos e os exames pela internet, e assim conseguimos continuar estudando, apesar da proibição de sair de casa", contou ela. "O pior período foi em novembro e dezembro do ano passado, quando ficamos 40 dias sem poder sair de casa, exceto duas horas a cada três dias para comprar comida." Efeitos psicológicos Barbara Lavin, que dirige o programa de Terapia Ocupacional na Universidade de Belém, abordou os efeitos psicológicos da ocupação. "Esse ano letivo foi um desastre, os estudantes foram privados do seu direito básico à educação, disse Barbara, "e as circunstâncias de violência, nas quais tanto professores quanto estudantes viveram, dificultaram muito o processo de estudo". Barbara acrescentou que durante a ocupação de Belém era totalmente impossível prever quando o toque de recolher seria decretado. "Perdemos totalmente o controle de nossas vidas e a capacidade de fazer qualquer tipo de plano, pois a cada momento as tropas israelenses podiam nos proibir de sair de casa." Depressão "Acordávamos de manhã e não tínhamos a mínima idéia se iríamos poder ir trabalhar e, quando finalmente conseguíamos chegar à universidade, sabíamos que, a qualquer momento, os estudos poderiam ser interrompidos", reclama Barbara. Segundo a especialista em Terapia Ocupacional, as circunstâncias que os estudantes viveram durante a ocupação da cidade provocaram muitos casos de ansiedade e depressão. A irmã Patricia expressou um otimismo cauteloso em relação ao futuro: "Espero que agora, com o novo acordo entre Sharon e Abu Mazen, possamos ter um pouco de tranqüilidade e normalidade", disse ela. "Quando viajo ao exterior e vejo os jovens se divertindo e vivendo uma vida normal, percebo ainda mais como é triste a situação dos meus estudantes, que vivem como prisioneiros em seu próprio país." |
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