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Israelenses desafiam governo em solidariedade a palestinos
Centenas de pacifistas israelenses, militantes do grupo Ta'ayush (Coexistência, em árabe), têm violado freqüentemente o cerco decretado pelas autoridades israelenses aos territórios palestinos. O grupo, formado no início da Intifada, em setembro de 2000, por cidadãos israelenses, judeus e árabes, é o mais atuante entre as organizações pacifistas que atuam em Israel. Os ativistas do Ta'ayush muitas vezes se arriscam para atravessar os muitos obstáculos de acesso às áreas palestinas. Israel proibiu a entrada de civis israelenses nas áreas sob controle da Autoridade Palestina. Penas Depois de vários casos em que civis israelenses foram assassinados por radicais palestinos nessas áreas, foi criada uma multa de 5 mil shekels (cerca de R$ 3,4 mil) para israelenses que infrinjam a proibição. Se houver reincidência da infração, a pena pode chegar a três meses de prisão. Apesar da proibição das autoridades e do risco de ataques de radicais palestinos, os militantes do Ta'ayush realizam atividades freqüentes nos territórios palestinos. A mais recente ocorreu na ultima sexta-feira, quando 300 ativistas foram à aldeia de El Nu'aman, no distrito de Belém, para protestar contra o confisco de terras e a construção de um trecho da chamada "cerca de separação" nas terras da aldeia. A cerca é um projeto de grandes dimensões que o governo israelense vem desenvolvendo para criar um obstáculo físico à passagem de palestinos para o território israelense. Os militantes trouxeram centenas de mudas de oliveiras e de outras plantas, para plantar no lugar das árvores derrubadas pelas tropas israelenses. Eles também consertaram o duto principal de água, danificado quando tanques invadiram a aldeia. Militante rabino Entre os manifestantes estava o rabino Arik Asherman que, além de ser militante do Ta'ayush, também dirige o grupo Rabinos pelos Direitos Humanos. Trata-se de um grupo de rabinos reformistas que atuam principalmente contra a demolição de casas palestinas. O rabino Asherman já foi visto várias vezes na televisão, se jogando em frente a escavadeiras que estavam prestes a destruir casas de palestinos.
Asherman é contra a construção da chamada "cerca de separação". "Esta cerca não tem nada a ver com a segurança dos civis israelenses. Muito pelo contrário, ele vai provocar ainda mais ódio e frustração por parte dos palestinos. A seguranca é só pretexto. O objetivo verdadeiro da cerca é criar fatos consumados na área, delimitar novas fronteiras de maneira unilateral e anexar mais terras palestinas, disse o rabino. "Não ao roubo de terras" Os manifestantes carregavam cartazes com os dizeres: "Coexistência sem muros", "Paz, liberdade e segurança para os dois povos", "Não ao roubo de terras". Ativistas do Ta'ayush disseram à BBC Brasil que pretendem continuar protestando contra a ocupação e também pretendem continuar violando o cerco para demonstrar solidariedade com seus parceiros palestinos. Suleiman Al Himri, morador de Belém e parceiro palestino dos ativistas do Ta'ayush, acredita que se a maioria dos israelenses fosse como os ativistas do Ta'ayush, já teríamos a paz há muito tempo. Leia também: |
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