BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado em: 17 de julho, 2003 - 08h48 GMT (05h48 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Guerra ao terror afeta países pobres, diz estudo

Criança africana
Relatório diz que situações de emergência são negligenciadas

A comunidade internacional está sendo acusada de direcionar a ajuda aos países pobres de acordo com a sua sede por acabar com o flagelo do terrorismo.

Segundo relatório da Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, doadores de recursos e agências de ajuda humanitária internacional estão se concentrando cada vez mais em países politicamente estratégicos, como Afeganistão e Iraque.

De acordo com o relatório, situações de emergência estão sendo negligenciadas em países pobres da África e de outras regiões.

O estudo diz também que o mundo desenvolvido gasta demais para tentar excluir os que buscam asilo e muito pouco para ajudá-los.

'Iniqüidade'

"Estamos vendo uma verdadeira iniqüidade na prática humanitária global, em que muitas das guerras e desastres do mundo se tornaram emergências esquecidas", diz o presidente da Federação, Juan Manuel Suarez Toro.

"Se doadores e a comunidade de ajuda estão comprometidos em fornecer socorro de forma imparcial, eles devem agir de acordo com seus princípios e intervir onde as necessidades são mais agudas."

Segundo o relatório, em abril, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos levantou US$ 1,7 bilhões em ajuda para socorro e reconstrução do Iraque.

Em contraste, o Programa de Alimentos da ONU para evitar que 40 milhões de africanos em 22 países morram de fome enfrenta uma escassez de US$ 1 bilhão.

Silêncio

O relatório critica não apenas os governos, como também agências de ajuda humanitária, que seriam parcialmente responsáveis por falhar em chamar a atenção para algumas das piores situações de emergência do mundo.

De forma geral, as agências internacionais permaneceram silenciosas em relação à manipulação política de ajuda alimentar a estoques de grãos dos governo, durante a seca de 2002 no sul da África , segundo o relatório.

As agências argumentam que manter presença nos países afetados era o mais importante, mas foram acusadas de falhar no papel de ajudar pessoas que estavam passando fome.

As agências de ajuda humanitária também são responsabilizadas pela Federação por fornecer o tipo errado de ajuda algumas vezes.

Comida indesejada

Dois terços dos recursos prometidos ao Afeganistão na conferência de 2002 sobre doações, em Tóquio, eram para ajuda humanitária.

No entanto, apesar dos protestos das autoridades afegãs, a maioria dessa ajuda chegou na forma de alimentos indesejados, que distorceram a economia agrícola do país.

Uma estimativa sugere que o lucro da produção de ópio no Afeganistão é 20 a 40 vezes maior do que o resultado da produção de trigo.

Algumas vezes, a contribuição das agências é desproporcionalmente pequena, segundo a Federação.

Depois do terremoto no Marmara, na Turquia, em 1999, 98% das 50 mil pessoas que saíram vivas dos destroços foram resgatadas por pessoas da comunidade.

'Desastre esquecido'

Segundo o relatório, mais desastres foram registrados em 2002 do que em qualquer dos dez anos anteriores.

Menos pessoas foram mortas: 24,5 mil, comparadas à média anual da década que foi de 62 mil.

No entanto, 608 milhões de pessoas foram afetadas, incluindo 300 milhões pela seca na Índia.

Desastres relacionados com o clima estão ainda aumentando. De uma média anual de 200 entre 1993 e 1997, para 331 entre 1998 e 2002.

O relatório chama de "desastre esquecido" a saga de muitos imigrantes.

Eles são economicamente importantes, enviando para casa cerca de US$ 80 bilhões anualmente, número que supera a quantia entre US$ 50 e 55 bilhões de ajudas governamentais para desenvolvimento.

A ONU estima que a população da União Européia está encolhendo tão rapidamente que seriam necessários 207 milhões de trabalhadores migrantes até 2050 para manter a força de trabalho da região no nível que era em 2000.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade