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Israelenses buscam vida normal no 3º verão da Intifada
Jovens bronzeados com pranchas de windsurfe deslizavam sobre as ondas mediterrâneas na costa de Israel. Na areia, um mar de guarda-sóis, muito frescobol e bate-papo regado a cerveja Macabi. Falavam alto, quase gritavam, para superar o volume do bate-estaca eletrônico disparado por alto-falantes de um bar à beira da praia. O ritmo irritava alguns, principalmente os mais velhos, que se isolavam jogando gamão num canto mais silencioso. E empolgava outros: duas ou três jovens imigrantes da ex-União Soviética, de biquínis sumários, atraíam olhares rebolando ao som do trance psicodélico. Calor No último sábado, dezenas de milhares de pessoas enfrentaram o trânsito, o calor de 35º C e disputaram cada palmo da orla de Tel Aviv. Estamos no auge do terceiro verão desde o início da Intifada, a violenta revolta palestina. Nos últimos 33 meses, não houve praticamente uma semana sem que um suicida do Hamas ou da Jihad Islâmica se explodisse ou abrisse fogo em locais públicos. Para quem passeia hoje por Israel, porém, é duro de acreditar que se trata de um país em guerra. As pessoas estão nas ruas, nos shoppings, lotam os bares e discotecas. Novas casas notunas pipocam nas regiões da moda de Tel Aviv, como o bairro de Neveh Tsedek ou o velho porto, reurbanizado e transformado em centro de lazer. Nas noites de quinta-feira, véspera do shabat (dia judaico do descanso), o trânsito nas estradas que saem de Tel Aviv rumo ao norte chega a lembrar a descida da Anchieta-Imigrantes de São Paulo para a Baixada Santista. O conflito espantou o turista estrangeiro hotéis e locais de visitação, como a igreja do Santo Sepulcro, na cidade velha de Jerusalém, estão vazios. Mas o turismo doméstico segue forte nos fins de semana. Ortodoxos Em Jerusalém, vale a mesma regra: os negócios que viviam do turismo faliram ou foram seriamente abalados. Mas a vida local segue vibrante.
Lojas fechadas no calçadão da Rua Ben Yehuda, no coração de Jerusalém Ocidental, são um retrato claro da crise econômica aprofundada pela Intifada. Enquanto isso, o comércio ferve na rua principal de Mea Shearim, bairro que congrega grande população de judeus ortodoxos. Vestidos em seus tradicionais trajes negros, os homens compram, formam rodas de conversa em frente às ieshivot (seminários rabínicos) e lêem os jornais e panfletos de orientação religiosa colados nos muros e postes. As mulheres, quase todas, empurram carrinhos de bebês - o trânsito sobre a calçada chega a ser tão congestionado quanto aquele dos ônibus e carros no meio da rua. Como quase todo local movimentado da "Cidade da Paz", Mea Shearim já foi palco de vários atentados realizados por grupos militantes palestinos. Mas a vida continua, te dirá qualquer israelense indagado se não teme morrer ou ser ferido num ataque suicida. A vida segue com uma normalidade espantosa aos olhos do turista estrangeiro. Festivais Em Tiberíades, tradicional destino de férias à beira do Mar da Galiléia, um festival de verão reuniu pequenas multidões todas as noites desta semana. Grandes nomes da música pop israelense entre eles o transexual vencedor do concurso Eurovision, Dana International se apresentaram num palco montado numa praça central da cidade.
A polícia fechou as ruas que davam acesso à praça. Homens com walkie-talkies e metralhadoras perambulavam à busca de pacotes ou pessoas suspeitas. As precauções foram tomadas, e a festa foi levada adiante, apesar dos riscos de ataque suicida sempre existentes no país. Vida normal é o que buscam também os freqüentadores das dezenas de raves e festivais de música eletrônica. Nesses anos da Intifada, o país se consolidou como exportador de DJs e grupos do gênero, como o Infected Mushrooms. E a cinemateca de Jerusalém, com uma privilegiada vista para os muros da Cidade Velha, inaugurou nesta semana o festival internacional de cinema da cidade, que deve atrair milhares de cinéfilos de plantão. |
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