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Atualizado em: 12 de julho, 2003 - 01h00 GMT (22h00 Brasília)
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Reforma só muda com governadores, diz Lula

Luiz Inácio Lula da Silva e Jorge Sampaio
Lula se encontrou com presidente português

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que a proposta original de reforma da Previdência foi elaborada com a aprovação dos governadores e só poderá ser modificada com a aprovação deles.

"Se tiver uma proposta interessante que o governo entenda que deva aceitar, ela será discutida com os 27 governadores de Estado. Não haverá nada da parte do governo sem ouvir os 27 governadores."

Para Lula, as mais de 300 emendas apresentadas ao projeto na Câmara são “um direito legítimo e certo dos deputados” e a proposta da reforma da Previdência “é uma garantia para o servidor público brasileiro”.

Em uma entrevista que durou mais de meia hora, o presidente, que vinha evitando falar com os jornalistas desde quarta-feira, quando chegou a Portugal, defendeu o direito de greve, assegurou que vai fazer a reforma agrária, prometeu anunciar um programa de investimentos em infra-estrutura para o segundo semestre, quando retornar ao Brasil depois da viagem à Europa, disse que o dólar vai se estabilizar, comentou a queda da arrecadação, juros e a viagem que fará à África em agosto, além de se recusar a comentar as críticas de Fernando Henrique Cardoso ao Fome Zero: "Eu não comento crítica de ex-presidente".

Leia abaixo, por assunto, as principais declarações de Lula na entrevista.

Previdência

A proposta do governo está escrita, assinada pelo governo e pelos 27 governadores e só vai ser modificada com a aquiescência deles.

Os deputados têm liberdade de fazer as mudanças que bem entenderem. Afinal de contas, o Congresso é livre e autônomo. Não haverá nada da parte do governo sem ouvir os 27 governadores, e o assunto já está por demais digerido entre nós. A coisa mais fácil do mundo é fazer uma reunião de governadores. É só convocar que eles comparecem.

A atitude do governo não seria um recuo, mas a manutenção do comportamento de um governo que quer trabalhar corretamente para ganhar a confiabilidade dos governadores para fazer uma proposta política.

Vamos fazer as coisas de comum acordo e não falo mais neste assunto.

Greve dos servidores

A greve é um direito universal. Ninguém brigou mais do que eu no Brasil para que os trabalhadores tivessem direito à greve.

Não trato de entender se a greve é justa ou injusta, isso é uma decisão da categoria.

Estou convencido de que a proposta da Previdência é uma garantia para o servidor público brasileiro. Se eles analisarem corretamente a proposta, vão perceber que estamos garantindo que daqui a dez anos eles tenham o que receber.

Porque, a continuar do jeito que está, eles não terão o que receber em alguns Estados da federação e eles sabem disto.

Estamos dando aos servidores públicos um tratamento que eles jamais tiveram no Brasil. Há sete ministros participando de uma comissão de negociação com servidores públicos discutindo um plano de cargos e salários, um sonho de estabelecer um contrato coletivo entre o Estado e os servidores públicos.

Movimento sindical

Acho que o movimento sindical brasileiro – e tenho dito isso nos últimos dez anos – tem que dar uma avançada histórica. Não tem que abrir mão de suas reivindicações, mas tem que pensar no projeto de país.

Tem que entender que dinheiro público também é para fazer escola, casa, saneamento básico, cuidar da saúde.

Dólar e juros

O fato de o dólar aumentar 0,5%, 0,1%, isso acontece todo santo dia. Não é possível que a imprensa não esteja acostumada ainda com a oscilação do dólar.

Em algum momento, o dólar vai encontrar o seu ponto de equilíbrio e vai ficar estável.

A taxa de juros vai cair de acordo com a necessidade. Os juros pagos pelas empresas que fazem projetos no Brasil com participação do BNDES são a TJLP (taxa de juros de longo prazo), que é de 12%, mais 5%, 4%. Chega no máximo a 16%. Obviamente, quem tiver condições de pegar dinheiro (emprestado) em dólar vai ficar na dependência da oscilação do dólar até que ele se estabilize e isso vai acontecer no tempo certo.

Reforma Agrária

A reforma agrária é uma necessidade de se fazer justiça social. E nós vamos fazê-la, porque é um compromisso histórico e é uma necessidade social de se fazer justiça no país. Tem gente acampada há seis anos, e as próprias lideranças desses movimentos vão se desgastando junto a quem está acampado.

Não queremos transformar a miséria urbana em misérias rurais. Queremos dar às pessoas a possibilidade de trabalho, de produção, de ter acesso à tecnologia, a investimentos, ter seguro agrícola.

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