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Atualizado às: 02 de julho, 2003 - Publicado às 03h32 GMT - 00h32 (Brasília)
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Analistas colombianos criticam retaliação dos EUA

Colombia deixará de receber US$ 5 milhões em ajuda militar neste ano
Colombia deixará de receber US$ 5 milhões em ajuda militar neste ano

Representantes do governo e analistas colombianos se surpreenderam com a decisão dos Estados Unidos de suspender a ajuda militar ao país, por ele ter se recusado a assinar um acordo bilateral isentando cidadãos norte-americanos de serem julgados no Tribunal Penal Internacional (TPI).

O TPI foi criado no ano passado com o objetivo de julgar genocídios, crimes de guerra ou contra a humanidade, e passou a funcionar neste ano.

Na Colômbia, os analistas ouvidos pela BBC Brasil não entenderam por que o terceiro país no mundo que mais recebe ajuda americana, considerado um importante aliado no combate ao narcotráfico e na chamada guerra ao terrorismo, foi incluído na lista das 35 nações que deixarão de contar com recursos militares dos Estados Unidos.

“Esta decisão não tem sentido. É mais provável que estejam utilizando a Colômbia para mandar um recado a outros países”, disse o cientista político Leonardo Carvajal.

Mensagem aos "amigos"

“O país segue sendo um aliado estratégico dos Estados Unidos. Acredito que eles queiram deixar bem claro que nem mesmo os 'amigos' vão se livrar das conseqüências se não derem imunidade aos soldados americanos no Tribunal Penal Internacional", analisou.

Segundo Carvajal, a decisão de penalizar a Colômbia é uma maneira de forçar mais de 180 nações a outorgar imunidade aos americanos. Até o momento, apenas 44 países assinaram acordos nesse sentido.

Arlene Trickner, especialista em política externa, relações da Colômbia com os Estados Unidos e temas de segurança, também concorda com Carvajal.

“É evidente que, por meio da ameaça à Colômbia, os Estados Unidos querem pressionar outros países a assinar esses acordos”, assinalou.

“Os governos colombiano e americano concordam com a imunidade. A única discordância que têm é com relação à forma de conceder esse direito.”

No Senado, membros da Comissão de Relações Exteriores criticaram a posição do governo dos Estados Unidos e lembraram que os cidadãos americanos que estão trabalhando com a Colômbia já contam com imunidade, conforme acordo assinado entre os dois países em julho de 1962.

 O presidente Álvaro Uribe apóia incondicionalmente o governo americano. Na Colômbia, as decisões não são diplomáticas. Os Estados Unidos dão as ordens e nós cumprimos.

Consuelo Ahumada, diretora do Centro de Estudos Políticos da Universidade Javeriana

“Eles estão sendo duros demais com a Colômbia”, disse o senador Enrique Gómez.

“Não era necessário reforçar essa posição, porque eles já contam com imunidade. O que eles precisam fazer é parar com esse condicionamento permanente à ajuda militar.”

"Os EUA dão as ordens"

O senador Jimmy Chamorro, presidente da Comissão, elogiou a decisão do governo colombiano de não assinar um novo acordo.

Na opinião dele, o convênio assinado há 40 anos deve ser considerado ferramenta judicial suficiente para acabar com as preocupações dos americanos.

Consuelo Ahumada, diretora do Centro de Estudos Políticos da Universidade Javeriana, acredita que os dois países vão encontrar uma solução para esse impasse em pouco tempo.

“O presidente Álvaro Uribe apóia incondicionalmente o governo americano”, afirmou Consuelo. “Na Colômbia, as decisões não são diplomáticas. Os Estados Unidos dão as ordens e nós cumprimos.”

A exemplo dos analistas consultados pela BBC Brasil, representantes do governo acreditam que o apoio militar dos Estados Unidos não ficará congelado por muito tempo.

“Não acreditamos que a ajuda vá ser suspensa, justamente agora que conquistamos os melhores resultados na luta contra o narcotráfico e o terrorismo”, afirmou o vice-presidente Francisco Santos.

Ele disse que, até o final da noite de ontem, o governo colombiano não havia sido informado oficialmente sobre a decisão dos Estados Unidos.

Reunião

Santos não revelou detalhes da reunião realizada nesta terça-feira entre representantes dos dois governos na sede da Presidência colombiana.

Mas é certo que uma equipe de negociadores dos Estados Unidos se encontra em Bogotá para discutir o impasse.

 Inúmeros programas do governo vão ficar debilitados.

Leonardo Carvajal, cientista político

Caso a posição seja mantida, o impacto da medida não seria muito grande em 2003, porque o país já recebeu US$ 95 milhões dos US$ 100 milhões já aprovados.

Para o próximo ano fiscal, que começa em outubro, no entanto, a situação seria muito complicada, por a política de segurança do governo Uribe estar baseada na cooperação americana.

“Inúmeros programas do governo vão ficar debilitados”, afirmou Carvajal, ao lembrar que os Estados Unidos já enviaram à Colômbia US$ 2 bilhões para financiar o Plano Colômbia de luta contra o narcotráfico e os grupos ilegais armados.

“Em termos financeiros, a ajuda americana tem servido para a criação de batalhões antinarcóticos, a compra de helicópteros e material bélico para enfrentar a guerrilha e os paramilitares, melhorar os organismos de inteligência do Estado e realizar fumigações intensivas contra cultivos ilícitos", disse.

Brasil e Estônia

Junto com a Colômbia, também ficou suspensa a ajuda de outros 35 países que recebem apoio dos Estados Unidos, entre eles Bulgária, Lituânia, Eslováquia e Estônia.

Na América Latina, a medida também afetou o Brasil. Apenas 22 países que não se declararam pela isenção receberam uma espécie de perdão do governo Bush.

Os Estados Unidos tinham dado prazo até esta terça-feira para que os países aceitassem a isenção dos cidadãos americanos de serem julgados no tribunal da ONU, caso contrário poderiam sofrer a suspensão da ajuda.

O governo americano é contra o TPI por considerar que existe o risco de que uma Justiça polarizada possa ser utilizada contra seus soldados no exterior.

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