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Atualizado em: 17 de julho, 2003 - 02h16 GMT (23h16 Brasília)
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Caio Blinder: Pedras no caminho

George W. Bush e Tony Blair
Bush e Blair mantêm aliança, apesar de pontos de discordância

Somente à primeira vista a temperatura (política) estará mais amena em Washington do que em Londres para o primeiro-ministro britânico Tony Blair, quando ele estiver na capital americana nesta quinta-feira.

Em reconhecimento à sua resoluta lealdade aos Estados Unidos, Blair será o quarto premiê britânico a falar em sessão conjunta do Congresso. Será uma quebra de rotina. Ovação legislativa não tem sido freqüente para o acuado primeiro-ministro.

No final do ano tem mais: Blair vai receber a Medalha de Ouro do Congresso, a mais importante comenda civil nos Estados Unidos. A honraria não era concedida a um britânico desde Winston Churchill.

E vamos seguir com Churchill. Há 65 anos, ele cunhou a expressão "relação especial", para saudar os laços históricos e culturais entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos.

Situação delicada

Mas hoje esta relação especial se tornou um ônus para Blair diante do cerco que ele está sofrendo em casa com o fracasso da aliança anglo-americana para encontrar as armas de destruição em massa que justificaram a invasão do Iraque.

Mais do que isto, talvez devido à diferença do fuso horário, com semanas de atraso explodiu em Washington a polêmica sobre se os dois governos exageraram, maquiaram ou mentiram no tocante à ameaça iraquiana.

Para complicar a situação de Blair, existe a confissão do diretor da CIA, George Tenet, de que uma questionável alegação de que Saddam Hussein tentou comprar urânio na África, atribuída à inteligência britânica, foi incluída no discurso do presidente Bush em janeiro sobre o Estado da União.

A tortuosa confissão dá mais munição para os críticos domésticos de Blair, para os quais ele manipulou dados de inteligência, e também para os jornalistas americanos, que não devem tratar o primeiro-ministro com tanta adulação como tem sido a praxe.

Antes de partir para Washington, Blair reiterou que as alegações sobre o urânio são corretas.

Oriente Médio e Cuba

Nas conversas com Bush, Blair deve tratar de outros assuntos delicados, que também colocam um pouco de tensão na “relação especial” entre os dois aliados.

Blair acabou de se reunir em Londres com o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, que insiste (assim como Bush) ser vital o isolamento de Yasser Arafat.

Blair, assim como os demais dirigentes europeus, discorda dessa necessidade de deixar de lado o líder palestino.

E existe a questão dos dois cidadãos britânicos presos na base americana de Guantánamo, em Cuba, selecionados para estarem entre os seis primeiros prisioneiros a serem julgados por tribunais militares como parte da chamada guerra contra o terror e que podem ser condenados à morte.

Mais de 200 parlamentares britânicos assinaram petição exigindo a repatriação dos dois homens. Blair não formalizou esta posição, mas a expectativa é que levante a questão no seu encontro com Bush e consiga convencer o presidente americano a alterar a situação dos dois prisioneiros.

Um sucesso nesta cartada ao menos servirá para não agravar as críticas e ironias sobre o “parceiro júnior” na relação especial.

Ironias, controvérsias e tensões à parte, a aliança anglo-americana segue sólida e vital.

E para George Bush, entre seus fiéis aliados na Europa, sempre será melhor a companhia de um Tony Blair do que de um Silvio Berlusconi.

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