BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado em: 09 de julho, 2003 - 17h32 GMT (14h32 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Bush e Blair divergem sobre urânio de Níger

Soldados americanos no Iraque
Supostas armas de Saddam ainda não foram achadas

A admissão pela Casa Branca de que era falsa uma acusação de que o Iraque havia tentado adquirir urânio na África colocou o presidente George W. Bush em uma polêmica doméstica e minou uma parte central do dossiê apresentado pelo governo britânico para justificar o ataque contra o regime de Saddam Hussein.

O caso também abriu uma lacuna entre Bush e seu aliado mais próximo, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que tem reafirmado sua confiança na veracidade da acusação.

O trecho relativo à suposta compra de urânio na África era um dos mais enfáticos do dossiê apresentado por Blair em setembro: “Há informações de que o Iraque tem buscado a provisão de significativas quantidades de urânio na África”.

Como o Iraque não tinha um programa nuclear para fins civis, a implicação era clara: o país estava tentando construir uma bomba nuclear.

Documentos falsos

Bush repetiu a acusação em seu discurso sobre o estado da União, em janeiro, embora a tenha atribuído a fontes britânicas.

“O governo britânico soube que Saddam Hussein recentemente procurou significativas quantidades de urânio na África”, disse Bush.

Dúvidas sobre este tema começaram a aparecer logo em seguida.

A Agência Internacional de Energia Atômica, da ONU, divulgou que a acusação se baseava em documentos falsificados.

Eles seriam faxes de acordos entre os governos do Iraque e de Níger. Não se sabe ainda quem foram os responsáveis pela falsificação.

Improvável

Agora se soube que, quase um ano antes do discurso de Bush, o governo americano havia mandado um ex-diplomata a Níger para fazer uma investigação sobre o assunto.

Joseph C. Wilson 4º revelou nesta semana ter dito ao governo americano que “era altamente duvidoso que tal transação tenha de fato ocorrido”.

Segundo ele, as minas de urânio de Níger estavam sob rígido controle internacional.

“Eu tive poucas alternativas a não ser concluir que algumas informações foram distorcidas para exagerar a ameaça”, disse o ex-diplomata em artigo publicado no jornal The New York Times.

Canais de praxe

A CIA, o serviço secreto americano, disse à BBC que passou a informação adiante pelos canais habituais, que incluem a Casa Branca.

Wilson disse mesmo que foi a Níger em decorrência de um pedido feito pelo gabinete do vice-presidente, Dick Cheney.

Ele presume, então, que os assessores de Cheney foram informados de suas conclusões.

É interessante observar que a própria CIA, em seu relatório sobre as supostas armas do Iraque divulgado pouco depois do dossiê britânico, não mencionava a conexão de Níger.

Em Washington, políticos de oposição estão cobrando uma investigação sobre o assunto.

Eles perguntam se o presidente foi mantido no escuro sobre as decobertas de Wilson, ou se o relatório do diplomata se perdeu no meio do caminho, e, se foi isso mesmo, como isso aconteceu.

“Já é bem ruim que uma gafe tão grande tenha feito parte do argumento do presidente a favor da guerra”, disse o senador democrata Ted Kennedy.

Programa

Bush foi questionado sobre o caso em sua visita à África do Sul, mas não respondeu de forma direta.

Ele disse apenas que tem “certeza que Saddam Hussein tinha um programa de armas de destruição em massa”.

Assim como Blair, Bush parou de afirmar que Saddam possuía as armas, falando agora que ele tinha um “programa”.

Uma outra pergunta exige resposta: será que o governo britânico foi informado do relatório de Wilson?

O ministro das Relações Exteriores, Jack Straw, foi questionado sobre isso no Parlamento e disse que iria descobrir.

Racha

A diferença entre as posições de Bush e de Blair está no fato de que o governo britânico insiste na veracidade de seu dossiê.

Isso apesar das evidências em contrário – os britânicos dizem que suas informações vêm de outras fontes.

O governo britânico também diz que, quando elaborou o dossiê, nem mesmo teve contato com os documentos que mais tarde se soube que eram falsificados.

As acusações, segundo Blair, “não eram fantasiosas”. Ele observou que, na década de 1980, o Iraque comprou urânio de Níger.

Uma comissão parlamentar lhe perguntou quais eram as outras fontes usadas pelo serviço secreto britânico, mas não obteve uma resposta.

O comitê quer saber de onde vieram as informações e, de qualquer maneira, já indicou que o dossiê deveria ter sido escrito de forma a deixar claro a incerteza a respeito do assunto.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade