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Iraquianos duvidam de 'libertadores americanos'
A declaração do presidente americano, George W. Bush, de que os Estados Unidos estão se preparando para uma longa e ampla presença no Iraque confirmou o temor de muitos em Bagdá de que os americanos estão se estabelecendo como uma força de ocupação, não de libertação. Durante seu discurso nos jardins da Casa Branca, Bush falou de "terroristas, extremistas e forças leais a Saddam" que atacaram tropas americanas, intimidaram iraquianos e destruíram a infra-estrutura do país. Bush fez uma advertência a respeito de combatentes estrangeiros ingressando no Iraque, grupos ligados à Al-Qaeda esperando para atacar e ex-funcionários do extinto regime iraquiano "que são capazes de tudo" para retomar o poder no país. "Estes grupos acreditam que irão fazer com que nós abandonemos o Iraque antes da liberdade estar plenamente estabelecida", disse o presidente. Sem progressos Não é bem assim que muitos iraquianos vêem a situação. "O problema é que os americanos falam em deixar o país, talvez em cinco anos. Mas eles nunca explicam como pretendem fazê-lo", disse um médico iraquiano. "Eles nunca nos dizem como irão estabelecer um governo independente e nos devolver nosso poder político e controle sobre nosso país", acrescentou. Na verdade, poucos iraquianos apóiam a insurreição armada contra as forças de ocupação. A maior parte simplesmente quer seguir tocando suas vidas e deixar a violência do passado para trás. Mas enquanto as semanas viram meses sem quaisquer progressos na melhoria de serviços básicos, como a retomada de água corrente, eletricidade e linhas telefônicas, está se tornando mais difícil acreditar que os americanos estão cheios de boas intenções. O comericante de produtos de eletricidade Abdullah Hamid disse que ele estava entre os que saudaram as tropas de ocupação como libertadores, "mas agora não tenho tanta certeza de que eles realmente se importam com os iraquianos ou com a nossa liberdade". "Saddam ao menos nos deixava ter seis horas de sono por noite, nos dando eletricidade para ligar ventiladores e aparelhos de ar-condicionado", afirmou. "Mas com estes americanos, está se tornando impossível. De início, está tudo ligado à meia-notie. Duas horas mais tarde, tudo parou. O serviço volta assim que você sai de casa. Parece que eles se importam menos ainda conosco do que Saddam", acrescentou. Segundo o administrador americano no Iraque, Paul Bremer, tais críticas não são justificáveis e refletem uma incapacidade de entender os pesados problemas logísticos enfrentados pela nova administração. "Eu não quero saber por que não está acontecendo. O que acontece é que as coisas não melhoraram e em muitos aspectos estão piores do que eram no antigo regime", disse Abdullah. "E parece que o petróleo vem em primeiro lugar para os americanos. Nosso bem-estar fica em segundo plano." Enquanto os americanos falam em "retomar a plena liberade", a crença aqui é que os Estados Unidos não planejam deixar o país ou só pretendem ir quando for colocada no poder uma administração fantoche, na qual eles possam ter total confiança. Claro, talvez não seja esse o caso, e Paul Bremer tem diversas razões para explicar porque tudo vem seguindo o ritmo atual. Mas esse é o aspecto que os americanos não têm levado em conta. Os iraquianos contavam com mudanças. Eles julgavam que a retórica pré-guerra, de que a vida seria melhor sob os Estados Unidos e que os libertadores sairíam tão rápido quanto entraram. A maior parte ainda quer acreditar, mas está se tornando mais e mais difícil. |
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